Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Uma saudade instantânea .

Foto: Dois animais (Por Nobre Epígono)

Uma música para relembrar de você. Setecentos e trinta dias de felicidade. Nós sabemos dela.

"I

Não sou escravo de ninguém
Ninguém, senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E, por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.

Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.

Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.

Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição,
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.

Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra tem a lua, tem estrelas
E sempre terá.

II

Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.

Quase acreditei, quase acreditei

E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.

Olha o sopro do dragão...

III

É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói

Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.

Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.

Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.

Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.

IV

- Tudo passa, tudo passará...

E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos." - Metal Contra As Nuvens (Renato Russo)

Domingo, 14 de Junho de 2009

Momento de prazer. Gozo constante.

Foto: cena da série The Tudors

"Eu acordava ao amanhecer todos os dias, com o seu toque, a delícia de seu calor e o cheiro inebriante de sua pele. Eu nunca tinha me deitado com um homem que me amasse completamente, por mim mesma, e era uma experiência vertiginosa. Eu nunca tinha me deitado com um homem de quem eu adorava o toque, sem precisar esconder minha adoração, ou exagerá-la, ou ajustá-la, nada disso. Simplesmente o amava como se fosse o meu primeiro e único amante, e ele me amava com a mesma simplicidade de apetite e desejo, que me fazia pensar o que havia feito todos esses anos vivendo a moeda falsa da vaidade e da luxúria. Eu não sabia, durante todo esse tempo, que existia essa outra moeda, de ouro puro."


Trecho do livro A Irmã de Ana Bolena. Cena de amor entre Maria Bolena e William Stafford.


Estou COMPLETAMENTE apaixonado por essa história. Amazing!

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Aquela tarde...

Foto: cedida pelo Google

Sobre o que? Sobre o amor mais uma vez? Não quero que vire rotina falar sobre ele. Então sobre a paixão? Também não. Sobre o que, afinal?
Sobre o nada. Este deve trazer mais calmaria para o meu eu. O nada, mesmo sendo um vazio, um “dissílabo”, uma imensidão de incertezas, proteje-me neste instante dos problemas causados pelo tal coração. Deveria falar sobre guerra, aquecimento global, segurança pública, educação, política. Quem sabe eu deveria falar sobre academia? Braços, pernas, bundas, coxas, costas, barrigas, peitos, panturrilhas...
Mas não. Não quero falar sobre isso. Alguns devem achar que não passo de um estudantezinho de merda. Que em suas horas “vagas” fica a escrever coisas do coração. Sinceramente, cansei. Por hoje cansei. Em todo lugar que eu vou tem uma placa falando sobre amor. Com todos que eu falo, no fundo, falam sobre amor. Os meus textos, que muitos elogiam, falam sobre amor. Incrível como esse sentimento está ao “nosso” redor e mesmo assim ainda há discórdias. Não tenho como escapar.
Portanto, conclui em escrever sobre um fim de tarde que tive há semanas atrás. Aviso: vou baixar o nível! Irei contar quase todos os detalhes. Vou dizer o que senti naquele dia...


Desculpe-me, estou a sair de minha corte. Vou para o jardim mais longe daqui. Vou encontrar uma donzela.

Encontrei a sobrinha de um cliente do meu pai em um jardim próximo a nossa fazenda. Ela vestia um vestido branco, com pequeninas rosas roxas desenhadas sobre. Tinha alças finas, que com qualquer mudança na velocidade do vento, elas caiam de seus ombros. Tinha em seu cabelo um diadema brilhante. Seu perfume lembrava cítrico. Calçava uma sandália baixa. Tinha um cordão de ouro no pescoço e brincos no formato de coração.

Não senti amor, nem muito menos paixão. Queria apenas comê-la. Queria lamber suas orelhas, pôr meus dedos de leve na barriguinha fina, enquanto lamberia com voracidade seu pescoço branquinho. Queria puxá-la pelos cabelos e chamar de “gostosa! Gostosinha putinha!”.Queria tirar aquele vestido e deixá-la completamente nua. Exatamente como veio ao mundo. Queria meter o meu pau dentro dela. Este, já estava enrijecido. Ela já o sentia e dizia tão doce e cheia de desejos “ai, põe ele em mim. Deixa-me tocá-lo”. Ela queria tudo, tudo mesmo. Eu não queria quase nada.

Ela tocava os meus músculos. Tocava os meus braços fortes de guerreiro. Ela também me lambia e mordia meu ombro, minhas orelhas. Uma hora ela me segurou e olhou dentro dos meus olhos. Desceu sua língua por minha boca, enquanto eu acariciava sua bundinha gostosa. Mordeu meu queixo, e continuou a descer com a língua em meu pomo-de-adão. Fazia lambidas cíclicas em meu peitoral. O prazer consumia-me todo. Matou-me de desejo quando se levantou e ficou dançando pegando nos seios e na xoxota.
Transamos horrores. Gozamos muito. Foi uma tarde quente, apesar do frio que fazia. Aquela sobrinha do Sr. Teteco era desejada por muitos peões da redondeza. Se ela não dava por aí, fui o felizardo.

Pus os braços para cima alongando-os. Vesti minha camisa longa e minha calça de algodão quadriculada. Calcei as botas. Agachei para perto daquela donzela de 19 anos, beijei sua boca, seus seios, que ainda respiravam à mostra, e fui embora.

Foi um nada. Eu queria poder ter uma mulher de verdade. Não queria uma desse tipo. Essa que eu comi foi só mais uma entre tantas. Não merece o meu amor, minha paixão, nem muito menos o meu dinheiro, como muitas da cidade querem. Queria só dar uma fudida com ela. Os pões do meu pai sempre falavam daquela puta gostosinha, e eu não dava ouvidos. Abitolava-me com minhas paixões e amores pelo mundo afora. Até mesmo em minhas cartas e textos.

Voltei para a corte. Estou deitado só de cueca. Sozinho nesse quarto. Nesse nada. Nesse vazio constante.

* texto passou por modificações. O original está com o nível bem mais baixo, mas não deixa de ser uma obra da minha pessoa. Em breve, quem sabe, irei publicar o original. Ou não! Fui inspirado por uma passagem do livro que estou a ler "A Irmã de Ana Bolena", onde as duas comentam cheias de desejos sobre o rei Henrique VIII. Quem ainda não leu o livro, leia-o, se realmente for do seu interesse. Mas seria bom começar o primeiro volume "A Princesa Leal". Não querendo ler o livro da "irmã", assista o filme que foi inspirado "A Outra". Eu ainda não o vi. Em breve irei comentar sobre. Passar bem!

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

“Pinta os lábios para escrever a sua boca em minha...”

Foto: M. Bolzan e F. Cintra (amiga e namorado dela em Londres)

Hoje eu acordei com um sorriso estampado no rosto. Eu sei qual o motivo. Estou aqui em casa, sentado no sofá, com um papel, uma caneta, vestindo uma bermuda preta com quadradozinhos brancos, uma camisa branca com o seu cheiro apaixonante. Ah, ao lado tem um copo, ou melhor, uma taça de vinho tinto e aquele chocolate que você me deu. A televisão de 21 polegadas está desligada. O aparelho de som está ligado tocando aquela nossa música. Já repetiu várias vezes. Não me canso de ouvir!

Posso começar? Vamos lá! Acordei feliz porque passamos um fim de semana incrível. Tudo começou na sexta-feira quando saímos da aula e fomos com os nossos amigos para o bar. Eu queria tanto tocar você. Queria tanto olhar nos seus olhos e ver a intensidade do brilho. Aconteceu o contrário. Foi você quem me tocou. Quem fez carinho na minha mão direita. Quem olhou para mim e viu meus olhos saltarem de felicidade. Você não sentiu meu coração, mas quero dizer que ele estava aceleradíssimo.

Senti o seu beijo doce em meus lábios. Senti sua mão tocando no meu pescoço. Senti sua língua lambendo minha orelha direita. Senti a sua mordida quente e doce em meu rosto. Eu viajei, literalmente. Sai desse mundo. Foi uma sensação inexplicável, meu amor.

No dia seguinte, eu estava de ressaca dos beijos, do seu calor, do seu olhar, do seu carinho, do rostinho bobo. Parecia que tudo não tinha passado de um sonho, juro. O seu cheiro no meu corpo trazia uma paz. Eu não tomei banho assim que cheguei em casa. Preferi sentir que estavas em mim. À noite, fomos lanchar naquele restaurante que gostamos. Vez ou outra, ou toda vez, os seus olhos me encaravam a ponto de eu me levantar da cadeira e avançar. Alguns percebiam o meu jeito encantador por aquele momento. Todos percebem. Não consigo estar na mesma, como se absolutamente nada estivesse acontecendo. Feliz estou ao seu lado.

No domingo, chamei os três para a minha casa. As fotos, os filmes – que não conseguimos assistir - , as duas garrafas de vinho, a caipirinha preparada por minha mãe, os chocolates, tudo, tudo mesmo, fez o nosso domingo não se parecer com o das outras pessoas que estão sozinhas. Rimos tanto, não foi? Você e esse seu sorriso encantador. [ái, meu deus! Estou mesmo feliz e apaixonado. Deixa estar] Era tanto carinho um para com o outro.

E hoje eu acordei ainda feliz. Dopado de felicidade. Acordei com uma vontade enorme de gastar todos os meus créditos do celular para ouvir a sua voz boba e em seguida passar uma mensagem. E o que aconteceu? Você quem fez isso primeiro. O bom de tudo é saber que estamos em sintonia. Saber que as notas musicais estão tocando equalizadas em nossos ouvidos, corações, peles, corpos. Saber que os meus próximos textos serão escritos exclusivamente para o meu amor. Saber que os nossos dias que virão, serão aproveitados e apreciados como uma taça com vinho.

Você lembra daquele papel do presente? Está guardado na minha gaveta, junto a uma foto nossa.

Preciso repetir: felicidade, felicidade agora! Adoro você.

São 10:30. Preciso ir tomar um banho e ir para a academia. Falamo-nos no decorrer do dia, meu amor.

Um beijo gracioso.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Uma, duas, três, quatro traições.

Foto: Cena do filme A Outra.


“Respirava lenta e regularmente como se estivesse nauseada. Não falava absolutamente nada.”

Ela tinha procurado-o. Queria conversar seriamente sobre aquela situação. Ele partira de sua casa rapidamente. Era como se tivesse ganho na loteria, e o dinheiro fosse abortar no banco. Não conseguiu, se quer, beijá-la como antes. Apenas abraçou-a e deu um simples beijo na testa.
Seguiu Ricardo. Ela conseguiu caminhar até o carro, e segui-lo nas ruas da cidade. Ele foi direto para o apartamento. Tomou um banho...

- Minha nossa! Já são 23h. – Ela falou sozinha dentro do carro.

Ele saiu. Foi em direção a uma boate na zona sul. Ela também foi. Seria bom dançar um pouco os últimos sucessos da pista de dança. Ela o observava de longe. A outra chegou. Nós chegamos. Clara sabia que existia outra tomando o seu namorado. Seduzia-o como nunca. Dançavam super agarrados. Até então, era apenas dança, dança, dança...

Clara reconheceu outros amigos deles lá. Foi quando ela se aproximou. Viu o esperado: Ricardo deliciava-se com a outra. Aproximou-se ainda mais. Olhou-os seriamente. Todos se voltaram para ela, inclusive eu.

O meu coração acelerou. Procurei um canto onde pudesse enterrar a minha cara. Onde pudesse enterrar as minhas mentiras e falta de amizade. Sei que errei. Aliás, todos nós do “grupinho”, erraram. Fui a escolhida.

- Você, Roberta? – Clara falava sem derramar uma lágrima. Apenas séria. Com o olhar direto.
- Eu, Clara. Perdão, amiga.
Todos pararam de dançar e quiseram tocá-la, pedir desculpas. O Ricardo saiu imediatamente. Os meninos foram atrás dele. Eu e as meninas tentamos segurar a Clara para esclarecer as coisas.
Ela falou calmamente:
- Não quero explicações de vocês. Não quero acusá-las de nada. Não quero que percam o tempo falando os motivos. Ops! Se é que tem motivos para terem feito isso comigo. Continuem dançando. Estão belas!

Saiu segurando sua carteira vermelha, que naquele momento, expressava o ódio latente dentro dela.

Procurei no dia seguinte. Parecia que não iria me atender, mas, incrivelmente, atendeu.
Dona Ana, a mãe, disse-me ao entrar:
- Que papelão, hem Roberta?
Não me reconheci, confesso. Fiquei de queixo caído. Apertei minhas mãos e entrei na casa. Clara estava na cama, lendo um livro. Ela me olhou firme com sua boca fechada e os olhos presos aos meus. Não derramou lágrimas. Não me gritou.

Apenas me ouviu.

- Em primeiro lugar, desculpe-me pelo que aconteceu. Sinto-me tão mal. Perdi o restante... Ou melhor, perdi a confiança que você tinha em mim. Não vou dar explicações pelo Ricardo. Não vou pedir desculpas por ele. Cada um fala por si. Cada um sabe das suas falhas e cada um deve ter o grão de “amizade” e conversar com você pessoalmente. Soube desde um mês atrás que ele estava se encontrando com a Helena. Trocando mensagens via celular, Orkut, MSN. As meninas me contaram tudo. Eu preferi o silêncio diante de você. Mas foi muito pior do que abrir logo o joguinho que o seu namorado estava fazendo. Juro como não imaginava encontrá-la ontem na boate. Eu sabia, sim, que ele iria para lá encontrar a Hel. Eu sabia que eles tinham ido no fim de semana passado para uma pousada numa praia do sul. E você me ligou desabafando e eu me fazendo de inocente e de puta de raiva com ele. Eu sabia que na próxima semana ele iria, realmente, pôr um fim na relação. Engraçado, você deve achar. Eu sabendo disso primeiro que você. Todos sabendo disso primeiro que você. Sabia dos dois presentes que ele tinha dado para ela: um livro, O Mundo de Sofia, que tantas vezes você havia comentado falado para ele que queria-o de presente. E uma girafinha de pelúcia que você já havia comentado COMIGO.

Eu sei que foi uma poli traição. A pior foi a minha. Entenderei – peguei nas mãos dela – se você não quiser mais olhar para a minha cara. Se preferir me ignorar na faculdade. Ou, se é que há esperança para mim, darmos um tempo nisso tudo. Mas agora, na minha próxima confissão, não deveremos mesmo mais prosseguir. – Ela não mexia – Ele a engravidou, Clara. – Ela apertou minhas mãos e fechou os olhos. – Ela está grávida de 2 meses e meio. – Apertou mais ainda minhas mãos. – Deve pôr um ponto final nessa história. Ah, quem sou eu para falar isso, né? Eu falo em toda a história. Não apenas na de vocês dois, mas na nossa. Então é isso. Acho que nada para dizer...

Ela não disse nada. Sai. Hoje faz 9 meses e 15 dias que não trocamos um oi. Estou mal. Absurdamente mal. Não consigo suportar essa perda. Essa minha falha. Éramos tão ligadas.
Estou só. Absurdamente só.

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Um singelo desabafo.

Foto: Meus chinelos. Por Nobre Epígono


Eu estava em estado de choque. Mesmo paralisado pelos absurdos que a vida, tão bela vida, nos traz, estava com o coração acelerado. Não sabia o que fazer. Simplesmente, eu apenas olhava em direção a palavra que saia de sua boca. Mordia-me por dentro com ódio daquela situação. Poderia não escrever mais. Poderia não mais olhar para a sua cara. Poderia, enfim, esnobá-lo.

Mas não. Eu não sou assim. Eu não fiz assim. Eu calcei os meus chinelos, vesti minha calça jeans, pus uma camisa listrada de manga longa azul com branco, e fui caminhar no calçadão da praia. Não reconhecia aqueles rostos. O brilho das ondas do mar não era mais intenso. Algo estava acabado. Algo tinha estragado aquela perfeição da natureza. Eu tinha forças, não sei de onde, mas as tinha.

Eu precisava, naquela hora, de alguém diferente para me acolher. Para me sentir seguro. Tinha duas amigas. Elas me acolheram. Deram-me carinho, deram-me ouvidos. Deram-me paciência, deram-me palavras. Deram-me seus ombros. Tenho um espírito que não se rebaixa. Ele se entristece, demais até, mas não se rebaixa. É preciso estar de pé e de queixo erguido. Mesmo que nada funcione, é preciso sentir e estar assim. E juro, queria muito não decepcionar você e vocês. Queria mais ainda, não receber calúnias e difamações. Não receber uma espada nas costas, como os antigos cavaleiros cavalheiros recebiam de seus próprios “amigos”.

E continuo a caminhar. Continuo tentando entender o que há em mim. Não me acho “bonzinho”. Não me acho esperto demais. Acho que tenho, eu disse “acho”, uma fidelidade para com você. Ou melhor, para comigo. Esqueça o que disse! Tenho um espírito passivo a certas situações constrangedoras. Ou é bom, ou é ruim.

E continuo a caminhar. Continuo deixando marcas no seu corpo. Continuo perdoando as traições, a falta de respeito, as mentiras persistentes, a falsidade... Bem, perdoando tudo o que um ser humano não deve ter. Não mais deveria me surpreender com essas falhas alheias. Já passei por outras... Piores, ou não. Mas acabo me dando ao luxo de ser surpreendido. Pego de surpresa, como um ratinho é pego numa ratoeira.

Cheguei em casa e tirei meus chinelos. Tirei minha calça jeans, minha camisa listrada. Tirei minha cueca boxe branca. Despi-me. Eu precisava tomar um banho. Precisava esfriar muito mais minha cabeça. Precisava me recompor.

Eu acendi um insenso. Deitei na cama. Chorei por 15 minutos e adormeci.
Estou aqui. Tudo continua na mesma.
Estou sozinho.
Sozinho.
Só.

Declarado por Nobre Epígono (sim, eu mesmo). Em 27 de maio de 2009.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

A amante e o rei.

Foto: cena de série americana The Tudors (sobre Henrique VIII)

Participo de um ato de amor entre duas pessoas. Maravilho-me com a delicadeza das palavras de Philippa Gregory. Mordo os lábios imaginando o tal ato. Sinto um frio na pele ao ler esta cena:


"O rei estava sentado diante do fogo, envolvido por um robe de veludo, adornado com pele. Ao ouvir a porta se abrir, levantou-se de um pulo.

Fiz uma reverência profunda.

- Mandou me chamar, Majestade?

Não conseguiu tirar os olhos de minha face.

- Mandei. E agradeço ter vindo. Queria ver... Queria falar... Queria ter um pouco... - interrompeu-se. - Eu queria você.

Aproximei-me um pouco mais. A essa distância ele poderia sentir o perfume de Ana, pensei. Joguei a cabeça e senti o peso do meu cabelo mudar de lado. Vi seus olhos irem do meu rosto ao meu cabelo, e ao meu rosto de novo. Ouvi a porta se fechar atrás de mim quando George saiu sem uma palavra. Henrique nem mesmo o viu sair.

- Sinto-me honrada, Majestade - murmurei.
Sacudiu a cabeça, não foi um gesto de impaciência, mas sim o gesto de um homem que não quer perder tempo.
- Quero você - disse de novo, o tom da voz sem se alterar, como se isso fosse tudo o que uma mulher precisasse saber. - Quero você, Maria Bolena.

Dei mais um pequeno passo na sua direção, inclinei-me para ele. Senti o calor de seu hálito e, depois, o toque de seus lábios em meu cabelo. Não me mexi, nem para a frente nem para trás.
- Maria - sussurrou ele, e a sua voz soou entrecortada de prazer.
- Majestade?
- Por favor, me chame de Henrique. Quero ouvir meu nome em sua boca.
- Henrique.
- Você não me quer? - sussurrou ele. - Como homem? Se eu fosse agricultor na terra de seu pai, você ia me querer? - Pôs a mão sob meu queixo e ergueu meu rosto para que pudesse olhar em meus olhos. Encontrei seu olhar azul. Cautelosamente, delicadamente, coloquei minha mão em seu rosto e senti a maciez de sua barba. Imediatamente ele fechou os olhos, virou o rosto e beijou minha mão.

- Sim - repliquei sem me importar que fosse tolice. Só conseguia imaginá-lo rei da Inglaterra. Ele não podia negar ser um rei assim como eu não podia negar ser uma Howard. - Se não fosse ninguém e eu não fosse ninguém, o amaria - sussurrei. - Se fosse um agricultor com um campo de lúpulos, eu o amaria. Se eu fosse uma garota que colhesse os lúpulos, me amaria?

Puxou-me para si, suas mãos quentes em meu corpete.

- Amaria - afirmou. - Eu a reconheceria em qualquer lugar como meu verdadeiro amor. Quem quer que eu fosse, quem quer que você fosse, a reconheceria imediatamente como o meu amor verdadeiro.

Baixou sua cabeça e me beijou, primeiro com doçura, depois mais forte, o toque quente de seus lábios. Então, me levou pela mão à sua cama com dossel, deitou-me e pôs seu rosto no alto dos meus seios, acima do corpete que Ana, prestimosamente, havia afrouxado para ele."

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Eu resido em Londres. Sim, estou apaixonada.

Foto: M. Bolzan (amiga em Londres / 2009) By alguém


Londres, 15 de abril de 2009

Que frio! Não se preocupe, estou com os cobertores sobre o meu corpo. Preciso tomar um café. Vou ali embaixo olhar os carros passar e pegar um café na lanchonete...

Voltei!

Sem mais delongas... Meu nome é Francisca Maranhão de Carvalho. Muitos sabem do meu nome. Poucos me conhecem. Dizem que sou um paradoxo por causa dos meus quadros e poesias. Afirma, com toda certeza, que o acaso transforma-me no tal paradoxo. Põem a mão no fogo por mim. Olha que só tenho 20 anos. Apenas dizem, comentam, fofocam... Trocam migalhas. Eu me conheço. Isso basta!

Sou Francisca, filha de Antonio Benigno Carvalho e Maria da Consolação Maranhão. Meus pais deixaram-me aqui em Londres para eu dar continuidade aos meus estudos acadêmicos. Eles não sabem o quanto estou feliz. Curso arquitetura e faço aula de jump, pilates e, sempre que posso, corro no quarteirão onde resido. É bom preencher o tempo com essas atividades. Faz-me esquecer do Brasil e dos problemas que passei. Não, eu não queria lembrar deles. Que saco!

Conheci George Lewis. Ele tem 21 anos e cursa Direito. Ele não é como os outros rapazes: nerd, feio, magrelo, leso. George tem cabelos lisos, louros puxados para castanho claro, olhos verdes, branco (nem tão branco), boca um pouco carnuda, muito bonito, pratica jump na mesma academia que eu, faz musculação, é cheiroso. Não fede como alguns ingleses. (risos) Ele não é inglês, é irlandês mas mora aqui desde os seus 8 anos. Adora literatura nórdica, inglesa e, incrivelmente, brasileira! Gosta de arte em geral... Aprecia as coisas belas da vida. Bom, muito bom.

Fomos para um bar semana passada, e lá tocavam músicas do meu país. Relembrei de alguns fatos, mas eu tinha-o ao meu lado. Por um momento, esquecia-me daqueles. Ouvimos um cantor da MPB, prefiro não citar o nome, que fez com que nossos olhares cruzassem em sintonia. Como foi bom! Rimos bastante, bebemos bastante. Sim, beijamo-nos bastante.
Transamos.
Ele tem um corpo como nenhum outro deve ter. E eu sei que os meus seios, minha cintura, barriga, minhas pernas deixaram-no louco de prazer. Fica em OFF.
Tenho uma exposição de quadros e poesias na próxima quarta-feira, 22. Eles causaram um caos feminino para as meninas que moram comigo. Acham-me uma putinha de 20 anos disfarçada de freira. Danem-se! Eu sei que não sou o que elas imaginam. Eu me conheço.
Vem para a minha exposição!

PS.: há dois dias não recebo notícias do George. Não o vejo na universidade. Ele não responde os meus e-mails.

Com amor,

Carvalho, a sempre sua amante.
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Ganhei este selo de uma leitora muito assídua. Ela se chama: A Menininha, e comanda um blog bem íntimo e sério: http://intimoepessoalblog.blogspot.com/



"Regras deste selo: Esse é o Troféu do Amigo! Esses blogs são extremamente charmosos. Esses blogueiros têm o objetivo de se achar e serem amigos. Eles não estão interessados em se auto promover. Nossa esperança é que quando os laços desse troféu são cortados ainda mais amizades sejam propagadas. Entregue esse troféu para oito blogueiros(as) que devem escolher oito outros blogueiros(as) e incluir esse texto junto com seu troféu!!!"
Meu indicados são:

http://criticalwatcher.blogspot.com/

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http://mundosinversos.blogspot.com/

http://angeloapnascimento.blogspot.com/

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Uma dose de carta. Destinatário: desconhecido.

Foto: Noite de Vinhos e Desejos/Sampa Dez 2008 (By Nobre Epígono)

Parachutesópolis, 30 de abril de 2009

Se eu pudesse gritar para você, eu gritaria. Seria capaz de perder a voz para poder dizer as milhares de coisas que quereria de você. Mas não. Eu não preciso chegar até o chão para realizar os meus míseros desejos. Alguns deles, passam num estalar de dedo. Eu não deveria ir até a sua casa e esperar os seus pais saírem para poder dar em cima de você. Eu não deveria avançar tanto o sinal. Eu deveria ficar onde estou.

Repenso: eu deveria ousar.

A hora é exatamente propícia para tal ato. Derramaria um ótimo vinho no seu corpo. Lamberia-o com toda vontade. Ficaria bêbado de paixão por você. Um toque na pele, os dedos passando no seu corpo, o brilho dos seus olhos demonstrando felicidade e ao mesmo tempo tesão. Eu sei que há tesão quando você me olha. Eu sei que o meu cheiro é capaz de enlouquecer todos que passam na rua, ou todos que estão em um bar, boate, cinema. Eu sei que você sente o coração acelerar toda vez em que eu te olho daquele jeito. Você sabe o que fazer, para onde olhar. Só quer continuar olhando para mim também. Não tenha dúvidas, a recíproca é a mesma. Nós nos fazemos sentir-se tão bem.

Eu só deveria, e digo com todas as letras: EU SÓ DEVERIA ousar tocar você com mais ferocidade. Levar os nossos corpos a um êxtase indecifrável. Puxá-la para a cama e tirar toda a sua roupa lentamente, e lamber seus lábios, orelhas, queixo, pescoço, peitos, barriga, cintura, ... pernas! Eu só deveria te conquistar com todas as minhas rosas. Deveria escrever todas as minhas cartas exclusivamente para você.

Porém, preciso ser verdadeiro. Isso não vale nada. Você não me tem. Eu não te tenho. Prefiro não ter. Pelo menos neste momento, prefiro sonhar. Sonhar pode ser tão real quanto a própria realidade. A gente pode acabar com tudo em um instante, e fazer tudo valer a pena de novo sem discórdias. É o processo mais convincente à minha pessoa. Você entendeu?

Isso não vale nada. A carta não deveria ser direcionada a você. É tudo mentira, acredite. E de repente, não sinto mais esse desejo tão forte. Você não existe. Nunca existiu. Deverá existir? Não vou dizer que estou a esperar. A mentira viria a tona novamente.

E apenas escrevi para alguém. Alguém que não sei quem. E não querem me contar. Eu não quero contar para mim. Fazem questão de esconder as verdades. Minha mãe? Ah, minha mãe insiste em dizer que eu deveria ir para a Irlanda estudar inglês. O meu pai? Ah, o meu pai queria que eu a pedisse logo em casamento ou fizesse um filho com alguma puta pelo visto. Mas que sem noção! Ele não sabe o que quero. Minha mãe não sabe o que quero. Até errou o nome do país. Quero você nesse instante. Sinto que tudo irá mudar. Está bem, está bem. Não existe.

Só um momento. Vou ligar a vitrola. Estou pondo The Dark Side Of The Moon.

Eu só desejo, de corpo excitado e pensamentos ousados, que na próxima carta eu escreva pensando realmente em você.

Com carinho,

Nobre Epígono.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Mais uma carta. Não sei para quem.

Foto: Av. Câmara Cascudo, Natal (By Nobre Epígono)
Parachutesópolis, 27 de abril de 2009

Gostaria de desejar uma ótima noite, em primeiro lugar. Depois, gostaria de ficar nu ao começar a escrever esta carta. Uma carta tão singela para alguém tão “so far away”. Não, não. Melhor eu ficar vestido. Não seria bom para um Nobre feito eu, despir-se assim... Tão cara-de-pau. Tão audacioso. Estou sentindo um frio tão bom agora a noite. Aqui... Na janela do meu quarto. Vendo a chuva cair. Querendo você aqui. Eu perco a noção do tempo quando estou ao seu lado. Não sei quem eu sou quando você me olha daquele jeito. Estou ouvindo batidas e violões em meus fones de ouvido. Parece que estou sendo guiado por um anjo sem segundas intenções. Tudo acaba dando no mesmo. Tudo acaba virando de cabeça para baixo.


Eu consegui concluir a minha leitura tão “linda, respeitosa, leal, grandiosa” de
A Princesa Leal – Philippa Gregory. Consegui entender como uma princesa de Gales precisava fazer, tornar-se leal ao seu primeiro amor, para conseguir chegar ao trono de rainha da Inglaterra. O amor, a lealdade, a mentira precisa, transformou uma infanta da Espanha da época de Fernando e Isabel, numa rainha decidida, forte e guerreira a conduzir um país visto como “perdedor” diante das forças francesas e escocesas. Guiou o seu homem, irmão de Artur, Henry (Henrique VIII) a combater os seus inimigos. Henrique que não entendia nada de guerra, gabava-se com tantas mulheres ao seu redor. Expulsou, praticamente, sua esposa Catarina de Aragão da corte Tudor.


Quero te dizer que amei todo o livro. Queria tanto que você lesse também. Irias gostar. É bem parecido com nós dois. Claro, porque amamos a Inglaterra. Não como patriotas, lógico. Mas existe algo naquele país que nos encanta. E só nos resta irmos num ano próximo até lá. Conferir o que aqueles castelos escondem de nós dois.


Tenho tanta coisa para te falar, que seria preciso vários papéis e disposição para tal. Estou cansado. Estou tão pensativo ultimamente. Estou precisando mudar algumas coisas. Sim, tenho conhecido outras pessoas e isso tem me fortalecido e tem deixado meu astral lá em cima. Estou feliz. Sinto que estou feliz. Mas quero algo mais. Quero algo... Mágico. Não como conto de fadas. Claro que não! Só tenho certeza que eles existem. Só acho que não podem se tornar realidade. Olha, olha... Voltarei com tamanha certeza aqui nesse mundo. Voltarei a escrever mais uma carta.


Estou pegando um disco para pôr no meu som. E a música se chama: X-Static Process. Conhece? Tenho namorado com ela ultimamente. Desde que ouvi um trecho dela numa música do novo cd do Caetano Veloso.


Com carinho,


Nobre Epígono.

Terça-feira, 31 de Março de 2009

Carta para um amigo [ III ]. - Isso é uma ilusão, e eu não ligo.

Photo: Redródomo de um lugar encantado (By Nobre Epígono)
Praia da Caiana, 31 de março de 2009
Leo! Estou de volta.
Como estão as coisas por ai? As aulas de História? Sabe, sinto falta das aulas particulares sobre Idade Média que você me deu no último ano. Eu insistia em dizer que não entendia o feudalismo, a transição do período clássico para a Idade Média, a estrutura política e tantos outros assuntos e temas. Você, insistia em me ensinar. E os lanchinhos no fim da tarde preparados por ninguém mais que Dona “Looourdes”?!
Bem, esse meu tempo afastado desses quesitos tem-se tornado tão mais estranhos. Acho que a cada dia o sentimento “não adianta querer voltar”, faz-me refletir se seria bom mesmo voltar para todos vocês três. Mas eu o respondo: Sim, Leo! Seria muito bom. Nunca quis tanto voltar para a nossa cidade. Mas que tal continuar por aqui? Não que eu deixe o tempo me levar. Afinal, como um amigo nosso disse uma vez: “O tempo não para (segundo as novas normas gramaticais, o acento some)”. Mais que certo, né?
Vovô foi até a cidade grande na última sexta, e voltou ontem trazendo um livro para mim. Vários poemas do Machado de Assis que foram lançados no ano passado. De quem eu lembrei? A-ham! Dela. Ela que sempre quando me abraça, o mundo gira devagar. Vocês têm se encontrado no colégio? Se sim, mande lembranças. Ah, e que não vejo a hora de dar um abraço como o da última vez. Ela sabe porque. E você também.
Eu consegui controlar a minha saudade quando vi uma foto aqui. Foi um dia após termos ido a um barzinho. Era começo de uma manhã ensolarada, e logo você, Leo, fotografou o meu abraço de bom dia com ela. Lembro-me de quando entrei no carro e as lágrimas vieram em peso. Prendi-as. A tarde, escrevi para ela que tinha adorado aquele momento de glória. Disse também que a saudade apertou ainda mais trazendo um pouco de choro. Não que eu quisesse surpreendê-la com minha citação “do choro”. É como Machado escreveu: “Lágrimas não são argumentos”. Não as uso para tal. Sim, não as uso. Uso-as para libertar o nó latejante e sufocante que amedronta o meu pescoço. Você mesmo já chorou por um motivo sério e entende perfeitamente do que estou a falar.
E aqui, deitado na rede com uma resma de papel no colo, penso em escrever mais e mais. Porque é incansável o ato de escrever. Porque é incansável dizer que ama. Porque é mentira dizer que não ama mais. Ama-se de todas as formas. E quando o assunto é sexo, também faz-se sexo de todas as formas. Ou não se faz. Mas AMA-SE! RESPEITA-SE! Assis escreveu: “Cada qual sabe amar a seu modo; o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar”. Eu sei amar. Eu sei que ela sabe amar. Eu sei que nós sabemos. Sim, nós quatro.
Um abraço, meu caro.
PS: estou pegando no sono... Volto a escrever-te!

Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Carta para um amigo [ II ] - Nem tudo é verdade.

Photo: Praia da Caiana (By Nobre Epígono)

Praia da Caiana, 17 de março de 2009

Ao meu eterno e grande amigo Leonardo.

Já são 18h30, Leo. Estou em casa. Foi muito bom lá na beira da praia. Consegui pintar um desenho que fiz. Imaginei uma caravela na minha frente. Tinha muita gente, inclusive, um casal bem trajado. Ela segurava seu vestido verde e sorria como nunca. Parecia que estava, em fim, no paraíso. Ele sorria também e pusera as mãos na cintura. Botes esperavam-nos ao redor da caravela. O sol brilhava. As ondas cantavam. As ondas... Ah, as ondas!

Pus o desenho aqui em cima da mesa. O gato, José Rabento, olha-o como se entendesse de arte. Arte é para poucos. [não querendo me desfazer da inteligência dos felinos] José me faz lembrar de Juliana. Sabes de quem estou a falar, não é mesmo? José participa das minhas horas de “vôo”. Ele vem e deita como um largado em cima da minha barriga. Confesso que as risadas surgem sem parar. Juliana uma vez deitou-se em meus braços e fez o mesmo que Rabento, lembra? Eu te contei?

Acabei de comer um pão com queijo e tomei um copo com leite. O meu avô está ali sentado na sua cadeira de balanço à espera de Dona Maria, por certo. Ele esquece do mundo, assim como o neto também esquece do mundo quando lembra dos quatro. Ele me questionou sobre o desenho. E claro, eu fantasiei as palavras e disse: “É a minha corte, vovô. Chegou para me levar para outro paraíso... Conhecer outras pessoas. Viver outras aventuras”. Não podia ficar sem a resposta dele: “Oh, meu neto! Como és belo nas tuas coisas”.

Acho que o meu avô foi a única pessoa com quem me descontrai mais nesses últimos dias. Ele diz que me ama. Ele conta-me histórias. Ele empresta-me os discos dele. Desde o término “dos quatro”, vovô Sebastião tenta aliviar a minha dor. Tenta me fazer feliz novamente. E eu, chato como sou, pareço não querer abrir os olhos e esquecer do único passado que me deixou tão feliz nesses tempos. Nada como um gole de vinho. Nada como O TEMPO.

Há o mistério de saber se existe outra pessoa que possa estar fazendo vocês três felizes, Leo. Há um ciúme bobo dentro de mim, que faz relembrar mais e mais do rosto e gestos de vocês. Que faz eu olhar para um lençol e sentir os dias em que me cobriram. Olhar para um bicho de pelúcia e sorrir dos apelidos que criamos um para com o outro. É tão triste. É tão bom. É um paradoxo. Sinto-me só neste momento. Apenas ouço de longe o barulho das águas nas falésias.

A primeira resma de papel está acabando. Já escrevi, reescrevi, rasguei, escrevi de novo, colori.

São 23h45. Está tarde. Preciso dormir. Amanhã continuo.

Um abraço forte.
Do seu amigo que tanto o estima,

Nobre Epígono.

Terça-feira, 17 de Março de 2009

Carta para um amigo [ I ]

foto: Praia da Caiana/RN (by Nobre Epígono)

Praia da Caiana, 17 de março de 2009
Olá, meu amigo Leonardo.
Trouxe todos os meus lápis coloridos, junto com uma resma de papel reciclado, e várias canetas para descrever tamanho estado emocional em que me encontro. Porém, acho que até mesmo 500 folhas não serão suficientes para o tal ato poético e inimaginável. Seria necessário eu escrever uma trilogia ou, quem sabe, uma tetralogia. A confusão resumi-se em CONFUSÃO. Pode acreditar.
De nada adianta eu armar uma rede na varanda na casa do meu avô. Não adianta eu pôr a vitrola dele ao meu lado e ouvir aquele vinil do Bob Dylan, ou ligar o meu minisystem e pôr um cd do Kings Of Leon, ou Caetano Veloso. Os pensamentos, as lembranças maravilhosas tornam-se sufocantes. As lágrimas vêm no rosto. Descem a procura do recanto, da paz de espírito. Mas que paz é essa que antes sufoca minha alma?
Como se já não bastasse, eu tenho o retrato de nós quatro dentro da minha gaveta. Deixo-o lá porque não quero sentir tristeza ao olhar. Mesmo sabendo dos momentos bons que passamos, não quero lembrar da minha culpa. Prefiro ouvir músicas. O retrato marca ainda mais o rosto de nós quatro. As músicas apenas me tiram de órbita.
Eu estou na beira da praia. Agora peguei um graveto e desenhei algo estranho na areia. Acho que são crianças correndo atrás de uma bola. Passei os pés em cima delas. Pus os braços cruzados nos joelhos e baixei a cabeça. Leo, estou chorando. Juro como não queria que esta carta fosse triste. Juro como queria estar feliz. Levantei a cabeça. Ei! Vou gritar... Está vindo... Eu preciso gritar... Ahh... Prec... Ahh... Precis... Ahhhhhhhhhhhhh! Gritei, Leo. Ainda me sinto preso. Ainda estou a querer a companhia de dois anos. Você sabe bem, não é?
Faz um frio aqui. Ao mesmo tempo um calor. Paradoxo. A praia está tão diferente. Vejo que ela sorri para mim. Lembrei de um fim de semana que viemos os quatro. Enquanto aquelas duas ficavam na areia conversando sobre arte e espaço, nós dois pegamos nossas pranchas e “caímos na água”! Que dias, não?! Sim. Claro que eu lembro da cara delas nos olhando e com inveja das ondas que pegávamos.
Como está sua mãe? Sua avó?
Como eu estou? Ah, estou ainda pra baixo. Não sei o que fazer. Sinceramente, ocupo o meu tempo com livros também. Até mesmo eles, os livros, têm me deixado triste. Sim, sim. Leio uma história sobre a infanta da Espanha que tornar-se-ia rainha da Inglaterra. Ela se chama Catarina de Aragão, a princesa leal. O romance com o filho do rei está transformando esse seu amigo num bobo.
Espera. Vou pegar um papel...

Domingo, 8 de Março de 2009

... just passing the time.

foto: Zumbi beach (by Nobre Epígono)


"Falando absurdos
Virando a noite

Perdendo senso
Derretendo satélites
Falando tudo
Voando a noite
Ouvindo estrelas
Derretendo satélites" - Paula Toller

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Dias, Aline - majestosos gestos.

foto: Flores de Acácia (A.D) by Aline Dias

"No ships come; the aimless wave sway beneath the empty sky." V.W

Eu pensei em começar com algumas palavras da Lispector. A loucura de Virginia transformou minha visão literária em minúsculas gotas de choro de felicidade e tristeza. A escrita da mulher suicida, ou da mulher piegas, envolve-me desde que conheci uma amiga do sul.

O sul não é tão distante quando se têm meios que podem juntar e descrever sentimentos reais. Reais e reais. Os braços, os beijos e as conversas compartilhadas durante algumas noites, trouxeram-me mais vontade de querer conhecer algo. Este algo passa-se como um mistério. O algo aparenta ser um nada. Incrivelmente, vazio. E quando dou-me conta desse algo, percebo a infinidade de coisas que existem nele. Justamente porque desperta a minha curiosidade quanto ser sobrevivente dos atos.

Eis o meu discurso plácido à Aline Dias:

Assim como as ondas de Virginia balançam sob o céu vazio, tuas palavras roxas e, poeticamente, sinceras e loucas, viajam sob o céu estrelado de uma grama numa casa do campo. Luzes brilham num papel envelhecido esperando a gota da tinta cair e desenhar seus pensamentos úteis e inúteis. O último, habita em todos nós que escrevemos para nos libertar desse caos sentimental.

Dedico-te uma música. Dedico-te mil e umas palavras de felicitações. Dedico-te uma cama, um lençol, um travesseiro, um livro (ou quem sabe um homem. Ou quem sabe uma mulher), uma mesa com vários lápis coloridos para você escolher os melhores tons ou os piores e pintar teu céu. Dedico-te a agonia incessante de querer escrever mais e mais. Logo, dedico-te a paz de espírito.

E é preciso viajar nos jardins do Buckingham Palace ou do Jardin des Tuileries para poder trazer uma única flor, mesmo morta, para você. E num outro momento, dentro de uma escuridão fria e amarga, aparecerei com um lampião em uma das mãos para iluminar o seu caminho. Porei novas essências ao seu pano de retalhos com letras miúdas, que equalizam sempre em textos de uma grandiosidade inexplicável.

Têm mais: Virginia tinha inveja dos textos de Katherine Mansfield. Eu tenho inveja da tua simplicidade diante das coisas... Coisas... Mas que coisas? Todas.

Um abraço forte acompanhado de dois beijos nas bochechas!

Obrigado, minha querida.

Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Parece que continua assim...


É. Parece que nada mudou. Apenas o tempo continua claro lá na praia. Apenas os pensamentos ora voltam-se para você, ora voltam-se para mim.

Buscarei ainda a minha felicidade instantânea... Nem se preocupe.

Passará para lá... para lá... bem para lá...

Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Azevedo [autores confundem as histórias]

foto: a hora da escrita por Nobre Epígono

Matou-se porque não agüentava mais toda aquela cobrança. Matou-se porque foi fraca naquele momento. Virginia não fotografava mais como antes. Seu namorado criava histórias de homens com sua mulher. Os homens, que pousavam poucas vezes para ela, babavam-na.

Virginia pulou do apartamento de uma amiga. Depois de porres na madrugada, o ato chocou todo o mundo. Não, Marie não teve culpa na morte de sua amiga. Pelo menos não nesse fato. Pode ter contribuído para a crise de ciúmes de Hugo. Elas sim, mantinham um romance há oito meses com uma loucura, tesão, amor e confidências como namoradas.

Em agosto de 2006, Virginia e Marie viajaram para Paris. As duas amavam toda a Europa. Mas sonhavam juntas em ir para lá. Hugo, professor de lingüista em uma universidade de Londres, desconfiava da viagem, porém não moveu dedos a fim de buscar provas das “mentiras” da fotógrafa.Virginia tinha tantos outros sonhos... Virginia tinha tantas outras fotos para expor... Ela ainda guardava em seu coração e alma tantas declarações para Marie...

Sim. Artur Rodrigues Azevedo, autor brasileiro, preferiu matá-la em sua última obra literária. Sim, Azevedo estava morrendo no hospital. Ele queria apenas uma companhia para sua viagem extra – ordinária!

“Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial.” Virginia Woolf
* * *
E uma menina que veio de um planeta bonito, visitou o meu universo literário e deixou uma mensagem linda. Confesso que na tarde de hoje estava com os pensamentos noutros lugares. Pensei até em acabar com toda essa história de blog. Pensei em queimar meus textos que, às vezes, acho-os em vão. Porém, a mensagem da Larissa "reanimou" o Nobre de certa forma. Ela ainda presenteou-me com este selo:


De acordo com as regras que seguem devo indicar 15Blogs ao Prêmio>>

"Com o Prêmio Dardos se reconhece o trabalho do blogueiro, que mostra através do seu empenho, capacidade para transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, que demonstram sua criatividade, através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.".Regras para o recebimento:

- aceitar e exibir a imagem do Prêmio;
- linkar o blog do qual recebeu a indicação;
-escolher 15 blogs para o Prêmio.

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

Palavras as quais eu me rendi e mergulhei:

http://intersemiotica.blogspot.com/[ não deixem de visitar o inter! ]
http://sorrisosegritos.blogspot.com/
http://criticalwatcher.blogspot.com/
http://notasnoturnas.blogspot.com/
http://do-gmas.blogspot.com/

Sim, sim. Para a Larissa também vale. E são apenas para vocês.

Boa noite!





Sábado, 31 de Janeiro de 2009

19h39 [ hora de ler livro para uma criança ]


Foto: ap improvisado by Nobre Epígono

- Vem, vem... Deita aqui comigo. Não, não... Deixa a luz acesa. Quero poder olhar nos teus olhos. Tudo bem, pára de fazer essa carinha boba. Traz seu livro que eu leio para você. Meu deus. Como é bobo! Filhote, filhote... amo-te tanto, meu bem.

[respira fundo]

- ... te amo tanto, meu bem. Por mim, eu passaria todas as noites seguintes e manhãs e tardes com você nessa rede. Ou, de repente, cairíamos nesse colchão e passaríamos uma eternidade. Retiro a eternidade da nossa frente. Prefiro mesmo o agora. Vem.. Ponhe a cabeça no meu peito. Consegue ouvir a batida acelerada do meu coração? É você que tá deixando-o assim... Como sinto-me feliz!

[respira fundo]

- Vem, vem logo... beija-me forte!

Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

retificando a postagem abaixo...

Sim, sim, sim. Mesmo às 23h00, mas você deu sinal de vida.
Dar-te-ei novos discos sem arranhões. Prometo!

Boa noite.

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

20h36 [nada de você]


foto: Nobre Epígono em SP by Nobre Epígono

"Eu vou escrever no seu muro
E violentar o seu gosto

Eu quero roubar no seu jogo
Eu já arranhei os seus discos...

Que é pra ver se você volta,

Que é pra ver se você vem,

Que é pra ver se você olha,

Pra mim..." -
Mentiras (Adriana Calcanhotto)

E se ao menos eu pudesse tocar em você. E se ao menos você não me deixasse esperar, eu não teria arranhado os seus discos. Aqueles que também são meus. Nossas músicas estavam neles. Se ao menos você me olhasse de verdade e sentisse o mesmo gosto enlouquecedor que o meu de poder avançar em você.

Porque eu gostaria de beijar. Porque eu gostaria de tocar seus lábios, sua pele, seus olhos, suas palavras...

Domingo, 25 de Janeiro de 2009

Vida Oculta

foto: Nobre Epígono by Nobre Epígono

Ele chama-se Luciano. Há tempos que não se sente muito bem em sua relação de 4 anos. O trabalho, estudo e uma nova pessoa em sua vida parecem ser as únicas coisas que têm levantado-o um pouco. Os dias estão passando e ele continua preso em suas declarações infantis para essa terceira pessoa. Digo infantis, porque ele trata-a de forma tão delicada e boba que ela acha-o a criança mais inocente do mundo.

O carro está em bons tratos. O celular é um dos últimos dessa tecnologia avançadíssima. O trabalho deixa-o a cada dia realizado. Foi a profissão correta que resolveu investir e dar tudo de si. Tem uma linda casa, um belo quarto, ótimo notebook, roupas charmosas [ou melhor, as roupas deixam-o charmoso], tem dinheiro para viajar para a Inglaterra, França, Estados Unidos, Islândia e quem sabe... Fernando de Noronha. Mas o relacionamento não vai nada bem. Que pena.

ELA se acha uma pessoa interessante. Acredita que pode continuar sendo feliz nos braços dele. Queria poder falar mais coisas para ele. Não esconder tantas outras... Viver um amor de cumplicidade. Mas a história não é bem assim. Luciano, o promotor mais bem pago daquela repartição pública, não acredita em mais um pingo das conversinhas fajutas dela. E pretende tomar uma decisão, não sabe quando.

A terceira pessoa vive em um caos de sentimentos. Queria muito poder estar cada segundo ao lado dele, sentir o cheiro, sentir o toque, o respirar acelerado, lento, sentir o beijo doce e mordidas selvagens e delicadas. Apenas passam-se os dias e ela está se cansando desse jogo de amor. Sente que a paixão chegou, como uma ilusão ou não, e deixa-a caidinha no chão por esse homem tão inteligente, doce e duvidoso, mesmo sendo um promotor.

Ele precisa de mais um tempo para pensar. Ele precisa de mais carinho mesmo que seja virtual ou por telefone. Ele precisa de alguém em que sinta-se bem mesmo. Mas está longe de conseguir isso. O caminho é longo... Às vezes parece passar tão devagar.

- Can we get together?
- I really wanna be with you.

Que domingo bonito. Porém, com revelações bombásticas. É a vida...

Bom início de semana.

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Lost Dog


Foto: Via Costeira / Natal-RN (by Nobre Epígono)

Olá.

E eu achei que estivesse perdido feito um cão farejador. A brisa do mar não me contentava mais naqueles dias em que a solidão era minha única amiga. Melhor, os livros eram meus únicos amigos.

Amigos. Ah, doce ilusão. Quem realmente está com você quando mais precisa? Salvam-se alguns, claro. Não posso também chegar ao ponto de negar que tenho "amigos".

Alimentação. Acho que nesta semana meu filho morre dentro da minha barriga. Sim. Há três semanas que sonho com um milk-shake do Girafas, Bob's ou Mc Donalds. Nunca dá certo. Grana, tempo, logo depois, tive tempo. Mas quando fui passar no cartão R$ 5,90, deu "erro no sistema" (ou eu não peguei a conta?).

Praia, sol, mar... Pessoa dez de espírito ao meu lado. Caminhar e esquecer quem eu fiz sofrer. Caminhar e esquecer quem me fez e faz sofrer. Caminhar e saber que você pode mudar algo. Sonhar. Sonhar alto. Sempre querer o melhor... Sempre querer mais. Satisfazer-se com mais. Eu busco mais um pouco de alegria. Busco em alguém que, REALMENTE, saiba como fazer isso. Busco em alguém ou algo que, REALMENTE, quero.

Música. Eletrônica. Luzes. Pessoas. Toques. Dança. Tênis. Sapatos. Vozes. Corpos. Rostos. Química!

"Touch my skin, and tell me what you're thinking.
Take my hand, and show me where we're going.
Lie down next to me,
look into my eyes,
and tell me -- oh tell me what you're seeing." - Take My Hand (Dido)

Bom dia de começo de semana.
;)

Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

. comida ê, comida á .




Entrada suculenta.
Banana gostosinha.
Sabor exótico raw.

Comida!

Pensamento:

"Os maus vivem para comer e beber. Enquanto isso, os bons comem e bebem para viver." [Sócrates]

Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Sorria. Isso basta!




Oi?

Estou com a edição de dezembro da revista Rolling Stone do Brasil. Na capa principal tem a Madonna (e aja Madonna ultimamente ¬¬). Por trás da capa principal, veio uma com um bebêzinho muito “cutxi-cutxi”!

Desde que comprei, não paro de olhar pra essa criaturinha e dizer: “Mô deus do céu! Tem coisinha mais linda que você, pimpolho?!”. A gente se sente feliz com o sorriso “polêmico” de uma criança inocente dessa, e esquece muitos problemas.

Para me satisfazer mais ainda, encontrei um vídeo bem curtinho que vale a pena conferir no You Tube de um filhote rindo como safado! Olha que coisa mais gostosa: bebêzénho.

Pensamento:

"Só as crianças e os bem velhinhos conhecem a volúpia de viver dia a dia, hora a hora, e suas esperanças são breves." [Mário Quintana]

Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

coisas. Coisas simples. coisas



Um filme de vez em quando até que é bom. O último que assisti, há uns dias, foi “Na Natureza Selvagem” (Into The Wild). Não pude assistir no cinema, comprei um DVD pirata (desculpem-me! Mas foi o jeito), porém não estava com ânimo para vê-lo.

Passaram-se dias e dias, até que semana passada resolvi sentar no sofá e deliciar-me com Emile Hirsch fazendo o papel real de Christopher McCandless e ouvir a doce-dura-e-respeitosa voz de Eddie Vedder (mais que fantástico!)!

Into The Wild comove em todas as cenas. Mostra a trajetória de um “riquinho” estudante que está se formando. Para não mais viver com toda a mordomia que possuía e adquirir a própria liberdade, McCandless resolve aventurar-se nos Estados Unidos dos anos 90. Encontra na natureza, respostas da sobrevivência dos seres, amadurecimento, medo, coragem, amigos (diga-se de passagem) com quem aprende várias coisas e cria um laço afetivo. Chris lança-se para um objetivo maior: chegar ao Alasca Selvagem!

Não posso deixar de dizer que chorei muito em algumas partes quando entra a voz do Vedder, e principalmente no desfecho do filme. Vale MUITO a pena conferir!

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Mudando de lugar, estou conhecendo mais um pouco do mundo GLBT. Sim. Em uma
sociedade praticamente homofóbica, como a nossa, as poucas pessoas inteligentes que se prezam, deveriam conhecer “o outro lado da vida”. Em “Como o mundo virou gay? Crônicas sobre a nova ordem sexual”, o jornalista, DJ, autor, tradutor, empresário e agitador cultural, criador do Mix Brasil, André Fischer mostra o lado colorido da sociedade, principalmente, moderna.

Os preconceitos, casamentos, sacanagens, estilos, paradas gay, noite agitada em São Paulo, gays na TV, glossário, homofobia, os ditos heteros que não saem do armário, depoimentos e crônicas escritas pelo Fischer desde os primórdios da sua carreira, recheiam este livro fantástico. Ótima compreensão na leitura, um pouco de humor nas entrelinhas, e dicas para não se trancar no seu armário, fazem do livro uma ferramenta essencial ao crescimento humano.

Um país sem tabus, sem preconceitos, é um país evoluído. Sinal de que há pessoas!

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Eu sei que ela canta mal. Eu sei que ela é uma louca. Eu sei que é fresca. Eu sei que fica dando uma de santinha. Eu sei que se não fosse Madonna, ela não estaria de volta. É sério!

Mas gostaria de dar uma abertura também ao novo cd da Britney Spears. A “ex-princesinha do POP” – sim, porque agora é conhecida como “It’s Britney bitch!” – votou à cena com seu mais novo álbum estreado no dia do NOSSO aniversário, 02 de dezembro, Circus. Mais amadurecida – será que depois de tantos remédios, flashs, clínicas e juízes ela não iria melhorar? -, Spears estreou semanas atrás o hit “Womanizer”, agora “Circus”, mostrando não ser mais a menina de “Baby Onde More Time”. Estou ouvindo muito seu novo cd. Músicas interessantes: Womanizer, Circus, Out From Under, Kill The Lights, Shattered Glass. Até que enjoa, mas dá pra encarar. Outro que estou viciado também, é o American Life (Madonna), os 25 anos do Thriller (Michael Jackson), Immaculate Collection (Madonna), Hard Candy (Madonna)... Melhor eu parar. O que um pré-show não faz com um fã?

Pensamento:

"A melhor coisa em ser solteira é que sempre tem uma pessoa pra ser conquistada. Eu não gostaria que ninguém fosse o Sr. Madonna." [Madonna]

Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

16:06 [ segunda-feira ]


- Está na estante, querido.

- Não. Aqui não está. Eu tenho certeza que você deixou lá no escritório...

- Ah...

- Bem, trouxe esse brinco pra você pôr hoje a noite.

- Hmmm. Lindos! Vamos sair?

- Estava pensando em irmos a um barzinho lá na praia grande. O que acha?
- Sabe, amor, é que não estou muito bem.

- O que aconteceu?

- Hoje de manhã recebi um email não muito bom.

- De quem?

- Do Victor.

- Meu deus. O que ele queria dessa vez, Mel?

- Quer conversar comigo... Disse que está com uns probleminhas familiares, e como eu sempre estive do lado dele, ajudando, dando conselhos, pediu pra sairmos. Eu disse que não dava. Ele começou a dizer que era por causa do “seu novo namorado”. Que eu só tenho tempo agora pra esse “seu novo namorado”. Brigamos, brigamos e ele desligou na minha cara.

- E só por isso vai ficar assim e não vamos sair?

- Queria ficar sozinha com você aqui mesmo. Comprei vinho!

- Ahhhh, se eu soubesse! Posso ir ali ao mercado comprar algum macarrão. Que tal?
- Fantástico! Aproveite e compre também chocolates.

- Então tá. Vou lá... [beija-a na boca]

...

- Sabe, eu adoro sentar aqui nessa mesa e ficar olhando você desse jeito. Como pega no talher, como pega na taça, como os seus olhos brilham...

- Ow, Marcelo... Eu também acho tudo isso. Você é um cavalheiro! O meu homem de todos os dias e para todos os dias.

- Quero-te sempre, sempre, sempre comigo, meu amor.

- Eu também, seu besta! [risada]

-Deixa eu dizer que te amo?

-Deixo você dizer e fazer. Quer amor? Continue aqui.


Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

You are my bitch, do hang your shit on me!


Està chegando a hora de ver Madonna em Sao Paulo. Os nervos estao gritando! Como eu disse em um tòpico antigo... Eu iria para o show. Esse sonho serà realizado sim!

=D

[And I'm not sorry]
[It's human nature]
[And I'm not sorry]
[It's human nature]

And I'm not sorry [I'm not sorry]
It's human nature [It's human nature]
And I'm not sorry [I'm not sorry]
I'm not your bitch don't hang your shit on me [it's human nature]

You wouldn't let me say the words I longed to say
You didn't want to see life through my eyes
[Express yourself, don't repress yourself]
You tried to shove me back inside your narrow room
And silence me with bitterness and lies
[Express yourself, don't repress your self]

Did I say something wrong?
Oops, I didn't know I couldn't talk about sex
[I musta been crazy]
Did I stay too long?
Oops, I didn't know I couldn't speak my mind
[What was I thinking]

And I'm not sorry [I'm not sorry]
It's human nature [It's human nature]
And I'm not sorry [I'm not sorry]
I'm not your bitch don't hang your shit on me [it's human nature]

You punished me for telling you my fantasies
I'm breakin' all the rules I didn't make
[Express yourself, don't repress yourself]
You took my words and made a trap for silly fools
You held me down and tried to make me break
[Express yourself, don't repress yourself]

Did I say something true?
Oops, I didn't know you couldn't talk about sex
[I musta been crazy]
Did I have a point of view?
oops, I didn't know I couldn't talk about you
[What was I thinking]

And I'm not sorry [I'm not sorry]
It's human nature [It's human nature]
And I'm not sorry [I'm not sorry]
I'm not your bitch don't hang your shit on me [it's human nature]

Express your self, don't repress your self
Express your self, don't repress your self
Express your self, don't repress your self
[I couldn't talk about]
Express your self, don't repress your self
Express your self, don't repress your self
Express your self, don't repress your self

Did I say something true?
Did I have a point of view?

Did I say something wrong?
Did I stay too long?

And I'm not sorry [I'm not sorry]
It's human nature [It's human nature]
And I'm not sorry [I'm not sorry]
I'm not your bitch don't hang your shit on me [it's human nature]

I'm not your bitch

I'm not your bitch

[It's Britney Bitch]

Don't hang your shit on me [it's humannature]

Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

[ leitura... ]




Pequeno desabafo e libertação de LOVE

Depois de dois meses e uns dias para concluir minha leitura de LOVE – A História de Lisey, encontro-me na mesa do falecido computador para escrever algumas coisas referentes à obra, ao dia, aos meses, ao tempo, ao amor, a morte, ao ódio. Não quero parecer estranho ou normal para você que me lê. – Se é que alguém me lê! – Quero dizer que apesar de ter passado tanto tempo para terminar o dito livro, encantei-me com a viagem complexa que Stephen King fez para descrever o amor e ódio presentes em cada personagem.

Ser casada com um escritor super famoso não deve ser nada fácil. Aposto que Tabitha King sabe do que estou falando. Ou quem sabe o grande mestre do terror também passa pele situação LISEY-SCOTT. O tal escritor conhecido por suas obras como “O Iluminado”, “O Cemitério”, “Carrie, a estranha”, “Dança Macabra”, não navegou muito em LOVE no quesito “terror”. Posso dizer que esperava um pouco mais de suspense numa história que busca entregar a vida amorosa/odiosa de um casal e seus fãs alucinados, de pensamentos nada fáceis de conduzir quando se escreve um livro. Eu buscava mais o MEDO em LOVE. Mas não foi isso que encontrei. Se eu me satisfiz apenas com o terror e suspense gritante de “O Iluminado” e “O Cemitério”, BUUUM!! Quebrei a cara. King está de parabéns quanto à brincadeira com as palavras, frases, músicas e situações que caracterizam o afeto.

Scott Landon é o tipo de homem que possui um conhecimento musical e literário às vistas. É o tipo de escritor que para escrever poucas linhas, talvez incompreensíveis, viaja para outro mundo totalmente desconhecido de pessoas, digamos... “normais” (?). Não que seja uma inteligência incalculável para Landon. Apenas os “Demônios Vazios” vêm e conduzem ‘Scoott’ para Boo'ya Moon, para uma imaginação poderosa. Grandes leitores seus conseguem acompanhar e montar o quebra-cabeça que Scott e Stephen criam.

O amor e o ódio caminham juntos na cabeça dos escritores. Caminham juntos na cabeça dos fãs. E não importa se você vai ser preso, morto, ou a coisa vai infernizá-lo para o resto da vida. ESPANE! Que tal Engatilhar Sempre que Parecer Necessário? Por que não atirar? Por que não deixar para depois? Por que você não senta a joça desse traseiro na cadeira e escreve algo?!

Permita-me sair de cena...

MAIS UMA DOSE! CLARO QUE EU TÔ AFIM!

Correr por ai atrás de bools não dá certo. Trocar palavras por uma RC COLA muito menos! Eu pensei em dizer que amo o que escrevo, porém, atrás se esconde o ódio dos próprios pensamentos. Sinto-me como Lisey, tentando desvendar o quebra-cabeça de Scott. Os dias estão passando tão rápido, e já já chega no período da “mudança de vida”. Momentos de tensão seguem a todo custo por cada hora do dia. Mas o livro é a saída deste para o outro mundo. É o meio mais adequado para se libertar.

Não. Stephen King não me surpreendeu muito com LOVE. Muitos fãs podem me exorcizar com esta afirmação. Vai ver porque a história é complexa. Não, não acho que esse seja o real motivo para a minha discordância literária. É verdade quando se diz que foi apenas o terceiro livro que li do King. É verdade que “O Iluminado” e “O Cemitério” também possuem uma complexidade de pensamentos. Entretanto, não se compara a Lisey. Tenho certeza que preciso relê-lo numa outra estação. Tenho quase certeza que o terror MESMO do King, fugiu em LOVE.

O paradoxalismo fugiu hoje. Leia LOVE. Quebre a sua cabeça! ESPANE!

Agora, volto-me para Carlos Drummond de Andrade. Década de 1950. “Contos de Aprendiz” traz a liberdade na linguagem poética dos romancistas da modernidade, pugnando os ditos cujos parnasianos, que seguiam uma métrica, um preciosismo rítmico e vocabular. Drummond estabelece a poesia irônica, social, metafísica e amorosa. Boa leitura para mim!

Volto logo mais...

Texto escrito em: 13/10/2008

Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Você é o desejo, e eu sou a realização !



Londres, 29 de setembro de 2008

Olá, desejo ardente, triste e proibido!

Não dá para não pôr um adjetivo desse tipo em você. Canso-me só de pensar que não o terei nos próximos meses. Canso-me só de saber que você não está nem ai para minhas declarações, infantilidades e vontades proibidas. Até o fim da tarde de hoje esperei por alguma ligação sua, carta, ou, ao menos, uma mensagem no MSN.

Eu sei que o que vivemos anos atrás, quer dizer, semanas... ou melhor, meses atrás, não foram suficientes para deixar-me lá no céu. Porém, atrevo-me a dizer para você que, realmente, aquele beijo foi o mais quente, lindo e delicado já recebido em toda a minha vida. Tudo bem. Não vai adiantar de nada eu me jogar nos teus pés, ou melhor, no teu corpo sadio, atraente e limpo.

Fiquei puta da vida quando soube do seu noivado com a Catarina. Não que eu deseje o mal, não é isso. Apenas queria ter essa chance, essa “boa sorte” de ser sua futura mulher. Por que você mesmo não me contou isso? Afinal, eu fiz e faço parte da sua vida. O que aconteceu com nós dois foi algo de outro mundo. Isso não pode ficar pra trás!

Tenho um amigo que mora em Parachutesópolis, que sempre conversa comigo. Chegamos à conclusão que você é um cego! Não, não, não! Chegamos à conclusão de que “os deuses sabem o que faz”. É inaceitável que a vida tem seus altos e baixos. Que por mais que apareçam essas pessoas especiais, precisamos aprender a perdê-las.

Furiosamente, eu não aceito tudo isso! Eu quero poder dormir mais uma vez e sonhar com o sorriso que me encantou desde o primeiro instante. Viver pensando nos seus lábios e olhos garbos junto aos meus um tanto quanto menores na cor, mas não na essência do amor, levar-me à loucura!

Há três noites que tento escrever algo para você, Paulo. Pode ser que essa tal paixão esteja escapando sem eu nem ver. Os livros que trocamos idéias sobre poesia, língua, histórias e música, continuam na estante da minha casa. As nossas fotos com as meninas, os meninos e sua família, completam a saudade, a paixão e o fogo ardente que sobe pelos pés e vai até a cabeça.

Sim, eu fiquei com outros garotos. Sim, eu fiquei com outros homens. Decididamente, nenhum chegou aos teus pés! Nenhum preenche-me como você. Muitos achavam que eu realmente apenas queria ficar e pronto. Lógico que era apenas para “amenizar” o fogo. A única pessoa que apagará e acenderá e apagará e acenderá o fogo é você.

Talvez eu já não tenha mais chance para ganhar outro beijo e abraço daqueles. Nossos encontros antigos, hoje repousam na saudade. Cadê que você vem me ver? Cadê que você vem me deixar mole, mole, mole de tesão? Cadê que você não sente mais a mesma coisa? Daqui a alguns dias eu viajo para a Escócia. Vou passar mais seis meses estudando lá. Não esperava que minha caminhada no Reino Unido fosse durar tanto! Cadê que você larga sua noiva e vem viajar comigo? Cadê que você me liga, Paulo?!

Eu não agüento mais! Eu não agüento mais esse tédio! Eu não agüento mais essa tristeza por não tê-lo comigo! Eu não agüento mais ter que olhar para a minha mãe, ou minha amiga de Sampanozópolis, e ser questionada quanto a essa situação! Porque você não some dos meus pensamentos?! Louco!

Perdoa-me por tudo que falei! Não, não! Aceita todas estas palavras e desaforos! Continuarei seguindo você até o meu coração EXPLODIR meeeeesmo de aflição. Tudo é você. Esse tudo é essencial para mim. Esse tudo é apenas mais um amor que vai ficar gravado na minha vida. Eu juro, Paulo, que vou te amar e te respeitar por toda minha vida. Eu também juro que não irei respeitar essa minha loucura amorosa.


“It's hard sometimes not to look away
And think what's the point when I'm having to hold this firedown
I think I'll explode if I can't feel this freely now 'cos
If you won't let me fall for you
Then you won't see the best thing I would love to do for you
'Cos I'm bored of hanging out in your cold
And if you find one day, find some freedom and relief
With this freedom maybe, maybe you will find some peace and
With this peace baby, I hope it brings you back to me” – Stoned ( Dido )

Um beijo com muito afeto!

Da sua sempre,

Mariana


Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

. what at you looking at? .


" Let your body move to the music
[move to the music]
Hey, hey, hey"


Aqui não tem o que você procurava.
Aqui ainda não tem conhecimentos.
Aqui ainda não tem a beleza.
Aqui não mostra a verdade.

Aqui contém luz negra.

EM BREVE, TEXTOS PROVOCANTES!

=]

Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Mulher crua, grudenta e doce


“See which flavor you like and I'll have it for you”.

Você vem chegando e cantando isso no meu ouvido, e vou entrando num êxtase profundo. Consegue acelerar o coração em qualquer pista de dança. Pode até parecer uma fantasia, não é mesmo? Mas ultimamente, mais preciso nos últimos 28 meses, venho sentindo tamanha admiração com o tipão de mulher que está nesse corpo jovial. Passam-se os anos, e a originalidade floresce dentro de você. Vão se passando os “hits”, os modismos, mas você continua mexendo os meus esqueletos. Eu sei que agora você deve estar em Nova Iorque ensaiando para sua próxima turner. Eu sei que é impossível, diga-se de passagem, que um dia você leia esse tópico. Porém, sinto que você sente que seus verdadeiros admiradores estão pensando em você, escrevendo sobre você, enfim...

Crie uma nova história. Seja mais ainda polêmica. Beije a boca daquela cantora, dance agarradinha com aquele outro cantor. Descrucifixe os dogmas. Mande pra puta que os pariu aqueles que não dão crédito a “human nature”. Seja Mandona. Seja.

Madonna não tem um pingo de noção no cenário da música. Madonna é metida. Uma mulher que já vai chegar aos 50 anos e, ainda assim, materializa-se como uma menina da sua época de doidices e sacanagens. Audácia!

Sabe, Madonna, és a arte em pessoa. É incrível como algumas pessoas aparecem na nossa vida e marcam tanto. Tenho falado isso comigo, e é como se aquela “tia”, aquela “mãe”, aquela “protetora” estivesse perto. Não dá pra explicar melhor, está vendo? Estou nervoso só de escrever essas besteiras.

Último cd? Um doce de amargo. Uma mistureba de sentimentos... Toques dourados e infantis no meio de tanto pirulito, chiclete, confeito e chocolates! Ambigüidades acirradas. Sem vergonha na cara até umas horas. Comparações demoníacas no final. Vozes de reis, de escravos... A dança como sempre no início da noite. Because the night is a young!

No fim do ano você virá ao Brasil, né? Vamos ver se eu vou conseguir vê-la de perto cantando aquelas músicas maravilhosas. We are waiting u, M-Dolla!

“Which makes me feel like the only one
(The only one)
That the light shines on”
; )

Domingo, 13 de Julho de 2008

Carta de uma Puta [ I ]

Foto: Google

Postrocópolis, 13 de Julho de 2001

Puta! É o que sou. Eu vivo em muitos bares e boates dessa cidade. Procuro homens que me completem e saibam realmente fazer o trabalho certo. Sim, eu também tenho uma família. Moro com minha mãe, coitada, de 65 anos, e com meu pai de 72. Eles me reprovaram quando souberam do que eu faço na sexta e no sábado. Eu tenho também um filho de 2 aninhos que é uma graça! Um relacionamento quente, com um desses gringos que vêm aqui procurar “mulatas”, e encontram logo uma rapariga feito eu.

Resolvi escrever isso aqui para dizer um pouco de como é minha vida, e deixar mais um registro de minha existência. Meu nome é Paulla Martiniano de Medeiros e Silva, tenho 28 anos, sou formada em Filosofia, trabalho pela manhã e tarde no Centro de Ensino Sobre a Vida para crianças de 8 a 10 anos. Minha frase filosófica é: “Tanto o bem quanto o mal são necessários ao todo”. Algumas pessoas sabem do meu trabalho também como puta. No começo fui super criticada, e algumas mães não queriam que seus filhos interagissem com uma mulher “demoníaca”, era como elas diziam.

O Felipe, meu filho, todas as tardes vai comigo para o CESV. Ele adora as dinâmicas que faço com as outras crianças. Agora ele está ali na caminha dormindo. O pai dele, Jorgen, um norueguês de 42 anos, sempre manda a grana para eu manter o Lipe, e também a uso para mim. Desde que conheci o Jorgen, ele me ajuda em tudo. O carro que tenho hoje foi graças a ele, o apartamento que comprei para os meus pais, foi com a ajuda do Jorgen. Nós não somos casados, nem namorados. Nos dias de hoje estamos classificados como “ficantes”.

Pensei muito nos últimos dias sobre a minha vida como puta. Eu gosto do prazer sexual, de sentir o corpo de cada um no meu, de beijar quase todas as partes dos homens mais atraentes, limpos e educados. Sim, nesse mundo de prostituição, de raparigagem e putaria, existem pessoas! É difícil ao mesmo tempo agüentar quatro transas por noite. Quatro na sexta e quatro no sábado. Os homens são animalescos. Mas o jeito como eles me pegam é interessante, é excitante. Eu gosto daquele calor, quando estamos no motel. Gosto de sentir a pele grossa envolvendo o meu corpo rodado. Eu gosto de sentir as lambidas que muitos dão em minhas curvas, em meus seios grossos, para ser mais exata, no bico dos meus seios! Eu sou uma vadia. Quero parar com tudo isso. Está me cansando, na verdade.

Eu poderia apenas me divertir em algumas noites, ficar com outras pessoas, e parar de fazer programa. Eu posso continuar com esse meu jeito escandaloso, vulgar e nojento. Posso continuar trabalhando como filósofa com aquelas crianças. Posso continuar transando e lambendo o pau daquele norueguês que sustenta meu filho e eu! Não deveria ligar para o que você pensa, para o que você diz, para o que meus pensamentos também me condenam. Mas resolvi mudar pelo meu filho. Apenas por ele.

Sim, eu sou puta mesmo. Eu sou uma rapariga de beira de esquina, seus nojentos! Eu sou a mulher decadente, a mulher que fica com vários, a mulher fácil. Sou também uma mãe descontrolada, controlada, filósofa.

Você já prestou atenção em quem está ao seu redor?

Até mais.

Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

o tempo com ou sem você

“Nas asas do amor a alma anseia por voar ‘para casa’, para o mundo das idéias. Ela quer ser libertada da ‘prisão do corpo’...” – Platão

São com essas palavras que começo o meu texto destinado a você. Você pode não ser mesmo VOCÊ que está lendo-me. Você pode ser qualquer um que, por natureza, habita no universo louco que fomos jogados para sermos pequenos, grandes e eternos personagens. Talvez não seja isso que eu quero falar neste exato momento. Talvez seja algo tão “normal” para você, que de nada irão adiantar as palavras digitadas aqui.

Eu quero me libertar das correntes que me prendem. Eu quero poder viver mais um pouco imaginando cada olhar seu, cada sorriso, cada coisa que você diz no dia em que estivermos a sós. Isso é tão pequeno diante de tantos outros desejos, ou sonhos. Ah, os sonhos... Eles vêm sem pedir licença, sem bater na minha porta. Se eu pudesse, eu tentaria não sonhar com tudo aquilo. O “aquilo” são seqüências de ações que um dia aconteceram ou poderão acontecer com nós. Mas só de pensar em não querer pensar em você, eu acabo pensando. Sinto que você está em sintonia comigo. Porém, isso não passa de uma ilusão da minha cabeça. Eu preciso parar de me preocupar contigo. Preciso parar de escrever textos e mais textos que levem meus pensamentos diretamente a você.

Não, não. Exatamente às três da manhã, escrevo isso. Na janela batem as luzes da lua oferecendo-me um caminho de volta para casa. Partículas de sentimentos mechem com o meu coração. Agora mesmo sinto uma vontade de ir deitar. Acalmar os neurônios. Mas quem disse que eles ficam um minuto sem pensar em você? Ou sem pensar em parar de pensar em tantas outras histórias?

Vivo um drama, uma alegria e uma recordação toda vez que resolvo escrever sobre você. “A história do pensamento é um drama de muitos atos”. E como!

Já tentei odiá-lo. Sim, apenas odiá-lo. Mas não deu certo. É preciso ter a constante interação dos opostos. O bem e o mal caminham juntos. São necessários ao homem. Você não presta, não presta, não presta e não presta!

- Eu não presto? Por que não?
- Sim, não presta. Porque faz com que eu me sinta assim... Em conflito.
- Quer que eu desapareça de sua vida?
- Por um tempo sim.
- Quanto tempo você esperaria?
- Esperaria até o meu coração sangrar de aflição.

Por que eu criei isso? Por que esse “você” vem na minha cara e diz essas e outras coisas? Não pense que esse texto foi para você. Não, não foi. Não, não é seu. É meu. Foi para mim. Para nós. Eu e a personagem. Não me adore. Não diga que gosta de mim. Não sinta o meu perfume. Não tente ouvir minha voz. Não tente conversar comigo. Não chore, não sorria para mim. Um dia isso pode passar. Apenas faça tudo isso por um tempo. Depois eu quero o contrário. Eu adoro o “você”. Eu adoro a “personagem”. Eu adoro os “capítulos”. Eu tenho medo dos finais. Eu tenho alegria nos olhos de pensar que você um dia será apenas mais uma personagem na minha vida de escritor.


[ ponto final. sem aplausos. Sem alegrias. Sem risos. Mas com saudades. Com saudades infinitas. Saudades infinitas. Infinitas. Finitas. Nitas. Ás. ]


Boa noite.

Domingo, 15 de Junho de 2008

[ alguém que se esconde n'outro alguém ]

Cansaçópolis, 10 de junho de 2016

Olá, Mariano!

Nada mudou em todos estes anos. Eu continuo com os cabelos pretos e curtos até os ombros. O trabalho continua me cansando, e suas cartas ainda estão guardadas embaixo do colchão. Hoje, dorme um outro homem nesta cama que um dia nós transamos e geramos o Mateus. É, neste ponto posso dizer que minha vida mudou.

O Ângelo trabalha em um laboratório de química de uma fábrica de cosméticos. Estranho, não? Ele é um homem diferente do que você foi comigo. Ele é mais romântico, mais carinhoso, mais charmoso, mais HOMEM. Não que você não tenha sido um pouco disso tudo. Porém, ele torna-se um ser humano diferente justamente porque eu o fiz ficar assim. Ele não é de falar muito. Apenas quando me deito na cama, ou no sofá branco, ele chega perto de mim e põe aquela boca e respiração nas minhas orelhas.

Há três semanas eu descobri uma coisa grave: o Ângelo tem o poder de sumir de repente. Sem contar com as mensagens que eu envio para ele no celular, e não obtenho respostas instantâneas. A última mensagem que mandei foi a seguinte: “Meu amor, eu sei que estás tão longe de mim no espaço, mas não no coração. É bom poder sentir que nada foi em vão. Beijos carinhosos de sua mulher que tanto o estima.” Fui muito profunda, Mariano? Acho que não. Você sabe bem que sempre agi dessa forma ‘piegas de ser’.

Antes de ontem comprei um computador novo, e ontem a noite comecei a escrever o meu “livro de cartas”. Penso em publicá-lo em breve. Lembra que eu te falei uma vez que eu ainda iria escrever um livro? Você esnobava de mim. Pois é, aqui estou escrevendo mais uma carta para a minha obra literária!

Agora tudo mudou, Mariano. Sinto neste exato momento que tudo mudou. Acho que não quero prosseguir uma carta para alguém que me deixou. Tenho certeza que não vou receber respostas suas. Seria melhor eu continuar aqui com o meu Ângelo carinhoso, romântico, não-respondedor de mensagens, do que com você? Ajude-me! Que horrível!
Olha, olha, olha! O Mateus acabou de chegar da escolinha, e preciso ajudá-lo a descarregar sua mochila. Hehehe... Ele vai perguntar o porquê de minhas lágrimas. Nosso filho entende bem quando derramo minhas tristezas... Ele está tão lindo, Mariano! O Ângelo sempre diz: “meninão! Você está cada vez mais parecido com o seu pai!”

Sinto saudades suas. Sinto falta do seu beijo quente. Sinto falta dos seus braços me apertando. Sinto saudades do meu gozo no seu corpo. Àquela fúria de desejos debatendo-se uns contra os outras. Ainda costumo dormir apenas de calcinha e sutiã esperando por você. Ainda deixo a janela do quarto aberta. O Ângelo nem liga, só acha engraçado, sabe? Mas não fala nada de mais.

Um beijo forte, tão mais forte quanto o último!
Guilhermina

PS: se por acaso vier, pode entrar e me tomar, tornar, tomar, tentar o seu corpo no meu.

Sábado, 31 de Maio de 2008

... e o mundo ainda não acabou.



"Why are we seperated?
Defined by our greed and hatred
Why aren't we all united?
I'm so sick and tired of fighting.
Why aren't we all together
Lets end this fight forever
Why are we still divided?
I'm so sick and tired of fighting.

[Uh Huh, Uh Huh, Uh Huh]
How many tragedies[How many tragedies]
Will we see before we come together
[Uh huh, Uh huh, Uh huh]
It's easy to forget
We have the power to make things better
[Uh Huh, Uh Huh]" ( history - Madonna )


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Olá, tudo bem? Hoje eu cavalguei nas redondezas estrelares. Vi como o universo está diferente, e a terra parece estar em conflito a cada segundo. É incrível como muitos de nós, ou na minha visão daqui de cima, "vocês" lidam com as pessoas e com a natureza no dia-a-dia. Quando eu voltei dos meus afazeres lingüísticos, sentei aqui na cadeira de frente ao computador e comecei a digitar este texto - que não será um dos melhores do meu reino nobríssimo.

Seria tão bom se as pessoas mudassem o jeito de lhe dar com as outras. Poderíamos oferecer mais respeito, mais liberdade de expressão para muitos que se calam, ou estão cansados de aguentar tudo isso aqui. É um circo. Tudo se tornou tão engraçado. As pessoas não se interessam mais por coisas simples da vida. Elas não desejam viajar pelo universo. Não desejam conhecer outros seres. Um ET? Quem sabe...

Eu bati o carro nesta manhã de terça-feira. O homem que dirigia na frente do meu automóvel, xingou-me com nomes que nem meus primos nunca disseram comigo. Cadê o respeito e educação desse homem de meia idade? Não, não mesmo. Ele não sinalizou que ia entrar para a direita. Além disso, deu uma freada tão segura, que aconteceu o acidente. Resolvemos o assunto.
"Beijei a bôca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou..." ( e o mundo não se acabou - Adriana Calcanhotto )

Antes de ontem eu fui ao supermercado que encontra-se a 5 km de minha casa e vi uma cena vergonhosa: MULHER DE UNS 35 ANOS JOGA LIXO NA RUA. Ótima chamada na capa de um jornal, não? Aham. Mas por que os jornais não põe algo do tipo nos seus jornais impressos e telejornais? Okay, apenas o caso da menina que é jogada do prédio, ou homem que mata outro quando passa por uma faixa de pedestre, ou mulher que espanca idoso, ou prisão não ajuda a recuperação de detentos, ou homem leva trezentos tiros e é encontrado vivo, devem ser MANIFESTADAS?

Ai, tudo isso ainda pode ser mudado. Nós precisamos cuidar do que é nosso. E a futura geração? E os nossos filhos? Eles terão uma vida "confortável"? Onde tá aquela água que você desperdiçou tomando banho, ou lavando o seu mais novo carro que custou 90.000,00? Gente, mudemos a nossa casa!!! Teremos visitas nos próximos anos. Até de extraterrestres! Sim, sim.
Como diz a Madonna em sua música b-side History: "Mas sonhos não são de graça... Nós precisamos mudar."

Por hoje é só... Vou ali em Plutão.
=\

Domingo, 18 de Maio de 2008

Eu posso te alfinetar também

Hoje eu resolvi sentar-me aqui na cadeira, ligar o computador, abrir o documento do Word e escrever com palavras de homem...

Eu tinha percebido que você vestiu-se diferente na última noite. Eu senti que o seu cheiro era outro. Não que fosse melhor, até porque, nenhum perfume tira de você o cheiro natural. Aquele seu vestido você nunca tinha me mostrado. Os anéis então...

Você me intimou a ir àquele restaurante para conversarmos sobre algo misterioso. Eu lembro bem das palavras: “Oi, querido. Túlio, precisamos ter uma conversinha... Algo sobre ‘metamorfose’!” Metamorfose? Quando ouço essa palavra vêm a minha mente borboletas azuis que tinham acabado de se transformar em fadas. Mas Túlio, jardim escola já passou!

O meu dia tinha sido bem agitado. Muitos problemas no trabalho, uma correria tremenda. Achei que não fosse sobrar tempo para ouvir sua voz. E antes que eu pegasse o telefone e ligasse para você, o contrário ocorreu. No restaurante eu estava tão ansioso para saber que ‘metamorfose’ era, que meu coração acelerava. Juro! Minha mãe sempre diz: “não crie muitas expectativas, meu filho.” Mas eu não crio muitas expectativas. Porém, quando se trata de relacionamento, fico com as mãos soando... Coração acelerado.

“Os meus sentimentos por você não estão sendo mais os mesmos, Túlio”. Foi assim que você me surpreendeu. Foi assim que tomei minha última taça de vinho. Senti-me desnorteado naquele minuto. Precisava você ter pego nas minhas mãos e acariciado como se eu fosse o último cachorro do mundo? Precisava me olhar como se eu fosse um moleque que fica triste porque não ganhou um brinquedo, ou um doce dos pais? Francamente! Depois das reuniões que eu tive naquele dia, depois dos empecilhos que houve durante todas elas, os seus gestos foram as piores coisas que aconteceram!

Eu sou um grosso, então? E você é uma sem noção, né? Sim. Eu não tenho mais 15 anos, Camila. Acho que você deveria ao menos ter conversado com mais maturidade. Não precisava ter feito àquelas caras e bocas de mulher chorona. Bem, se eu tivesse te traído, ou se você tivesse saído com o novo chefe do financeiro lá da sua empresa, tudo bem. Mas não foi isso...

Todos os 3 meses que vivemos juntinhos, foram como um casamento. Sim, porque você dormia direto lá em casa. Gostei muito das nossas noites quentes, das noites frias e do seu jeito de fazer carinho em mim. Não tinha encontrado mulher alguma que fizesse o que você fazia comigo. Isso não é tudo, viu? Comporte-se como MULHER da próxima vez que for dar um pé-na-bunda de um outro homem.

Deixo para você aqui no meu blog, este desabafo, que de mais nada irá te servir. Apenas adocicará o meu fervor. Ambigüidade? Ah, até os seus gestos têm...

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Agradeço a minha leitora Aline Romero, pelas palavras no mundo dela composto de notas noturnas. Ela me presenteou com este selo:
Aline, comentários são apenas OS COMENTÁRIOS. Mas os nossos desabafos nesse mundo de imaginação real e fictícia são mais sábios que eles. Gosto do meu universo assim, sem prédios, sem guerras, malquerenças, sem esquinas, sem complicações. Apenas aquele vasto espaço noturno alimenta a minha sede de brilhar-se em cada ponto de luz nele existente.
Ótimos dias, leitor. E perdão, se eu desapareço daqui por um tempo. É que muitos me chamam noutras galáxias!

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Lembranças no Inverno

Eu estava parada de frente ao espelho esperando que aquela mulher respondesse a minha pergunta. Não. Ela não sabia o que responder. Apenas pensava em tantas respostas que pudessem ser formuladas sobre a situação. Ela sentia frio. Sentia o coração acelerar a todo instante. Prendia o cabelo, depois soltava e dava um giro para os cabelos castanhos girarem rapidamente. A mulher notava o quão eu estava feliz. Porém, essa felicidade era momentânea, assim como acontece com pessoas apaixonadas (!). Agora lanço-me para um desafio: “Quando você irá parar de pensar essas coisas?” Ela mais uma vez não soube responder.

Fui até o banheiro, peguei o novo sabonete que comprei em uma loja de cosméticos do shopping e entrei no box. Tudo cheirava a hortelã, até os meus pensamentos cheiravam a hortelã. Era uma veleidade tudo aquilo que percorria em meus cabelos, descia no meu pescoço, parava nos meus seios e adentrava no coração. Este, batendo cada vez mais veloz. Parecia que, não, não parecia. Era verdade! Ele batia tanto, queimava de prazer, ia decolar. Depois essa veleidade desceu para a minha barriga, para minhas partes sensuais e não mais inocentes... Nesta parte eu parei. Continuei acariciando as pernas e lembrava dos dias que fiquei ao lado de um dos homens mais perfeitos que já conheci.

Após o banho, sentei-me na poltrona ao lado da cama. Eu tinha em mãos a caixa onde dormiam as cartas e algumas fotos dele. Como é lindo! Sim, eu disse LINDO! Lindo segundo o dicionário significa: adj. Agradável à vista ou ao ESPÍRITO; belo, formoso, gracioso, delicado, perfeito. Não era só a beleza exterior, juro! Ele possuía um coração tão elegante. Eu sonhava todos os dias em poder tocá-lo. Eu tinha sido flechada pelo anjinho do amor. (que coisa mais infantil para uma mulher prestes a se formar!) Será que ao menos não posso declarar tudo que eu realmente vivia naquela época? Tremia todo o corpo quando eu o via de longe na universidade. Mas uma vez ele estava com os amigos em frente à biblioteca. Há três semanas eu tinha pegado dois livros de literatura francesa e fingi estar indo devolvê-los. Sim, sim. Eu toquei nele! O meu braço direito tocou nele. Tocou o braço dele. Olhou para mim e disse: “Nossa, quanta pressa em devolver os livros!” Ué, como ele sabia que eu tinha pegado? “Ué, como você sabe?” “A menina do controle de livros ficou surpresa quando viu uma aluna de fisioterapia pegando livros de literatura francesa. Ela comentou comigo” “Ah, sim. Quer dizer, não. Bem, eu me interesso tanto por literatura! O que é do homem sem a companhia de um livro? Ah, desculpe-me... Estou atrasada para a aula!”

O que foi aquilo?! Siiiiiimmm! EU ESTAVA TREMENDO por dentro! Corri para o banheiro e chorei, sorri, beijei meu braço que tinha recebido o toque daquele menino. Onde meus pensamentos foram parar?! Parecia um conto de fadas. Sei lá!

Passaram-se oito meses para acontecer o nosso primeiro beijo. Foi tudo. Toquei aquele rosto com um pouco de barba. Acariciei seus braços, seu pescoço, seu cabelo. Um cheiro inexplicável vinha daqueles cabelos também castanhos. Os olhos dele cintilavam como aquelas estrelas que se mostram lá no céu exibindo seus mistérios. A boca dele tocava a minha de forma harmoniosa levando-me para outra galáxia, outro planeta TOTALMENTE DISTANTE. O meu exagero passava do limite. Minhas amigas não entendiam todo esse desespero amoroso. Desespero não. A MINHA FORMA DE AMAR.

Por maldade do destino, ou sabe-se lá por bondade, nós nos separamos. Separamos-nos mesmo. Há 2 meses ele está na Irlanda. Recebeu um contrato para ir trabalhar lá. É, eu estou sim me programando para encontrá-lo e matar essa saudade. Deixou apenas ótimas, lindas e sinceras recordações no meu corpo. Deixou fotos, que muitas eu roubei às escondidas! Hehehe.

Vejo ali fora, no jardim, a chuva caindo e trazendo muitas saudades. Às vezes é melhor a gente não pensar nisso. Bate uma tristeza... Às vezes é bom ocupar a mente com outras coisas. Ou melhor, é melhor, sim, a gente pensar em tudo de bom que aconteceu. Tornamos-nos mais felizes.

Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Tempo

O tempo veio para transformar
mudar cada situação
amenizar fatos
rir de quem
não ir
mais
a
l
é
m
do que um simples
TEMPO
que
se
foi

Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Um recado ao leitor (ponto)

Leeds, 16 de junho de 2005

Estou morrendo. Há muitas pessoas que já estiveram ou estão na mesma que eu. Estou com câncer no cérebro. O tumor maligno e infiltrativo, que destrói os tecidos normais e seus vizinhos, tem crescido incalculavelmente nos últimos 4 meses. A divisão das células do meu cérebro está fora de ordem, daí o aumento anormal delas. Elas dividem-se formando uma massa sólida. Esta massa é o meu sufoco. Vim para Leeds estudar o inglês e trabalhar. Fiz planos quando estava lá no Brasil, e esses planos cessam a cada minuto de minha estadia aqui na Grã-Bretanha.

No dia 18 de abril, fui a uma balada. Não bebi álcool, não ingeri droga. Quando eu e meus amigos estávamos na metade da diversão, meu corpo debruçou-se sobre o chão. A cabeça latejava aceleradamente. Meus olhos derramavam lágrimas de dor. Desmaiei. Acordei no dia seguinte no St. Mary’s Hospital. Meu amigo Schopen, alemão, a Alicia, estadunidense, e o Johan, canadense, vigiavam e protegiam como anjos uma pessoa que haviam conhecido há 3 meses e alguns dias.

Fiz vários exames após uma semana de recuperação. Constou-se um tumor no cérebro. Penso que o grande esforço em ouvir músicas com headphones, contribuiu para a mais nova e dolorosa notícia sobre a minha vida. (risos)

Ei! Você ai! É, você mesmo! Sim, sim, ser humano! Quero dizer-te o quão foi bom poder dividir dias de conversa com você. Aqueles abraços apertados, beijos demorados... Como foi bom dividir meus problemas e soluções com você. Você sabe, consegui concretizar um dos meus sonhos. Mas eu queria você aqui, perto de mim. Não posso e não quero voltar ao Brasil, por isso escrevo este longo recado para você que está a ler-me.

Ei! Pára de prestar atenção nessas outras pessoas ao seu redor. Eu estou aqui. Ainda estou. Dê-me o mínimo de sua atenção e carinho. É fato, eu preciso. Nossa! Quanta transformação nos últimos meses. Vivemos longe um do outro, mas estaremos ligados eternamente através dos poemas, das cartas, das histórias, das músicas que escrevi pra ti. Mas do que adianta tanta escrita, se eu não posso tê-lo fisicamente? É triste dizer: é assim que tem que ser.

Eu estou morrendo. E quero lágrimas, gritos de “volta!”, desespero, tristeza, felicidade, saudade da sua boca, do seu corpo juvenil. Quero antes de tudo, tudo mesmo, que leia esta carta e não interprete-a como algo triste. Você é um vencedor. Você tem o prazer de recebê-la. Você ganhou palavras sinceras. Palavras de despedida. Palavras cuja sintonia cruza os seus neurônios fazendo você refletir sobre tudo que viveu comigo.

Parece inacreditável, mas eu estou mesmo morrendo. Resta-me viver aqui, em Leeds. Resta-me uma rosa e cartas-respostas no meu velório.

Estranho, não?

Um beijo, um abraço, e um toque de minhas mãos no seu rosto, leitor.

Felipe Oliveira Sanches, o canceroso.

Quinta-feira, 27 de Março de 2008

Felaspitógeno Augustus


Praia do Desespero, 18 de novembro de 1997

Oi, vida.

Não tive muito tempo nas últimas semanas para escrever, para amar, para colorir o quarto em que durmo, para desejar coisas boas a você, vida. O café que tomei ontem a noite na casa da Gorolindaparonozéica estava forte demais. Senti a pressão da sua inimiga chegando para levar-me à loucura sonhada por alguns outros.

Vi o assassinato da vizinha de minha avó. Sim, eu vi. Senti apenas o medo. O medo, este, que alimenta os meus neurônios. Agora estou aqui. Vejo a praia, e na praia existem tantos urubus lá embaixo a espera do meu socorro.

Quero pensar no amanhã, mas de uma forma diferente. Quero viver em um local distante desses mamíferos rodeados de azedume. Deves imaginar e questionar a contradição em minhas palavras, não é? Mas que contradição o que! Essa métrica nas palavras revolta o meu corpo de poeta. Prefiro pisar nas coisas perfeitas que chegaram para confrontar a cabeça daqueles que se dizem poetas. Danem-se os que esbanjam beleza gramatical nos textos, nas pinturas, na música. Algo tem que fluir como o artista deseja, sabe vida? Mesmo assim eu lavo, torço, jogo fora, resgato antes do carro do lixo passar para buscá-los. (risos) É um sentimento estranho. São desejos estranhos. São como as lágrimas que se derramam nos meus papéis reciclados. Sei lá, vida... Achas que sou um louco, não? Ah, quem sabe sou.

Suicídio. Não sou covarde, jamais. É apenas desespero. Não tive medo de viver até agora. Você sabe. Sempre enfrentei os carrapatos e pulgas que judiavam com o meu eu lírico. Mas eu cansei. Cansei do jeito como você me toma. Cansei das cores que pintam o meu céu. Cansei de ouvir pessoas imbecis dizendo que os meus quadros não são como os de Van Gogh. Sabe quando você escreve poesias para um alguém que não passa de um “alguém?”? Você se derrama. Você transforma-se em vermes produtores de vômitos, sujeiras. As artérias saltitam numa enorme velocidade por segundos. As cores tornam-se mais intensas, mas ai tudo pára. Tudo muda de lugar.

Os insetos visitam-me com freqüência no meu apartamento. Eles são interessantes por um único motivo: não conversam. Ao invés disso, eles cantam. Cantam como Edith Piaf. – Comparar Edith Piaf aos insetos? Sim! Foi com a ajuda deles que seu corpo transformou-se em terra. E não há nada mais belo do que as comparações que faço. Elas são as artes. Fazem parte disso aqui.

Na verdade, vida, chamo isso de ponto estratégico. Sim. Planejei tudo para, quem sabe, um dia poder voltar aqui e contar aos peixes, as gaivotas, aos urubus, aos vermes, a doença, a fuga, a guerra, o quão é fantástico poder morrer. Sempre tive essa curiosidade desde o dia em que perdi o meu avô. Você lembra, não é mesmo? Lembra, lembra sim senhora! (risos)

Pulo ou não pulo? Eis a questão...

Do homem que não era um Van Gogh,

Felaspitógeno Augustus

Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Mais uma Relação


- Patrícia! Patrícia! Cê tá aqui? – ele entrou no apartamento.
- O que há, Roberto? Por que essa gritaria toda?
- Quem é o Alex? – paciente. Roberto a questiona.
- Alex? – ela faz uma cara de surpresa.
- Sim, Patrícia. Alex. A-L-E-X!
- Ah, Roberto... Ele trabalha com a Júlia.
- Sim. E aquelas fotos na sua máquina?
- Nós saímos semana retrasada com a Júlia, Roberto. Não há nada demais.
- Ah, lógico que não há nada demais. Até porque você só saiu com ele, só recebeu mensagens no celular, quando você me falou que era lembrete, só tirou fotos com o rosto encostado no dele e da Júlia, só não me comunicou da tal saída, só... – ela o interrompeu.
- Pára, Beto! Pára! Que ciúmes são esses, cara?
- Porra, Patrícia! Não se faz, hein. Não se faz! – ele senta-se na cama e põe as mãos na cabeça.
- Não estou me fazendo, Beto. Já disse. Saímos, jantamos...
- Jantaram, se comeram, fizeram sexo a três por quatro, né?
- Beto, que grosseria! – ela começa a chorar.
- Grosseria foi isso que você fez, Patrícia. Grosseria é você ter uma mulher, e depois saber às escondidas que ela tá saindo com outro. Grosseria é você trabalhar, juntar cada grana que recebe para fazer uma viagem, comprar um móvel pra dentro de casa, marcar um fim de semana na praia, e descobrir que sua mulher está com outro, poxa! – ele também começa a chorar.
- Você é um bruto, um grosso!
- Ah, eu?
- Sim, Beto! Você! Sabe por que eu fiz isso?
- Devo imaginar... Por que eu sai com outras? Por que eu nunca mais transei como no início? Por que eu te dei motivos para tal?
- Você não me trata mais como antes, Beto. Você não manda mais mensagens. Você não diz mais “eu te amo”, não beija-me mais como antes. – ela enxuga as lágrimas.
- Espera, espera, espera. Essas coisas são motivos fortes para uma traição? Quantas mensagens eu te mandei desde a semana passada pra cá, Patrícia? E no final de todas eu disse “amo-te, amor”. Beijo-te sim como antes. Acontece que você já não sente mais o mesmo gosto, o mesmo toque. Você tá apaixonada por esse Alex, Patrícia. A questão é essa. E eu vou deixar você ficar à vontade pra pensar no que tá fazendo. Percebeu que seu marido não é como muitos outros que chegam bêbados em casa e até agridem suas esposas? Porra, Patrícia! Por que tu não me contaste? Por que ce tá enganando a si, ao seu esposo e esse seu amigo?
- Porra, Beto! Pára com isso! Eu ia te contar... Quer dizer, não ia falar nada demais, porque não aconteceu nada demais.
- Patrícia, olha: eu vou dormir fora, tá? Não tô suportando ouvir isso de você. Incrível como você acha tudo muito normal.
- Não houve beijo, sexo, carinho, Beto!
- Tudo bem se não aconteceu isso. Mas to incrivelmente passado com essa tua inocência.
- “incrivelmente passado...”. HA-HA-HA, né Beto?
- Isso, Patrícia. Ria bem muito. Seja irônica.
- Beto, vai à merda! Tu chega aqui em casa me fuzilando com ciúmes bestas. Ele é apenas meu amigo.
- Amigo, esse, que você nunca falou para mim. Simples, “Pati”.
- Para que?
- Caramba! Como para que? Nós temos uma aliança na mão! Somos casados! Não há conversa, trocas de “não-segredos”? Prefere viver assim? Mentindo, sendo enganada, não dividindo seus sentimentos comigo, né?
- As mulheres preferem às vezes não falar tudo que sentem para os homens. Chega uma hora que você se magoa com certas atitudes deles, sabe? E uma das coisas que magoaram a sua “mulherzinha” aqui, foi o lance das mensagens, o jeito como me beija hoje em dia.
- Desde quando namorávamos você contava-me tudo. Os mínimos detalhes.
- As pessoas mudam, Beto. Os sentimentos mudam.
- Para que fingir? Eu sempre te contei quem dava em cima de mim, quem dizia isso e aquilo outro. Sempre apresentei você com muito carinho às pessoas que me rodeavam.
- Certo. Eu devo agir do mesmo jeito? Ser igual a você? – ela um tom de ironia.
- Não é a questão de ser igual a mim, Patrícia! É você ter o mínimo de sensibilidade e perceber que moramos juntos, que somos casados, que só existe eu e você nessa cidade, que temos uma união!
- Hahaha...
- Que porra é essa?! Esse cara te transformou? Está tirando a minha mulher de mim? – ele abre bem os olhos, gesticula com as mãos apontando para si.
- Transformou, Beto. Ele me enfeitiçou!
- Sua grossa! Descontrolada! Infantil! Estúpida! – ele saiu do quarto em direção à sala, pegou as chaves do carro.
- Beto... Beto! – ela chamava-o aos gritos – Pra onde cê vai?
- Ah, Patrícia... Vou sair por ai. Vou pensar nisso tudo. Vou tentar também aliviar minha cabeça. – ele falou já abrindo a porta: - E por favor, não me liga, tá? Esqueça-me por esta noite. Vai sonhar com seu “apenas amigo” Alex.
- Beto, não é assim... Beto!

Roberto Vasconcelos saiu de casa naquela noite para pensar, refletir sobre o ocorrido. Assim como muitos casais, a vida dos dois entrou numa crise constante. Ele lá, e ela cá no apartamento. Olhando para um porta-retrato sobre o criado-mudo, Patrícia adormeceu com seu rosto coberto de lágrimas às 23h45 na noite de sexta-feira.

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Meus deuses! Quanta correria da semana passada pra cá. Bem, ótimo feriado a todos que visitarem este blog pra lá de alucinógeno!
=]
Abraços!

Domingo, 9 de Março de 2008

Correspondência


Trento, 09 de Março de 1962

Minhas angústias de nada mais adiantam. Minhas palavras de amor, de dor, de tristeza, de fúria, não adiantam mais ser ditas pra você. Fostes como se fora um pássaro. Não mais irás voltar pros meus braços, nem tampouco pra minha boca fina cheia de desejos incalculáveis.

Vivo aqui, querido. Esperando que uma luz, de não sei onde, apareça para dar uma alegria em minha vida. Vivo com menos ousadia. Vivo e ao mesmo tempo não vivo. Não sei como continuar essa jornada sem ter você perto de mim. É tão difícil, Augustino.

Fui anteontem à Catedral de São Virgílio. Rezei para que o Nosso Senhor Jesus Cristo leve-me daqui. Tenho uma paixão, agora, de querer cometer um suicídio. Mas é só uma paixão. É um querer platônico, sabe? Suas filhas tentam ajudar-me o quanto pode. Porém, continuo querendo morrer. Será que você irá responder esta carta, meu amor? Já estou tão velha, e penso que isso pode acontecer. Estranho...


Como é ai embaixo? Os insetos, baratas, formigas, minhocas e o demônio já te devoraram? Nossa! Deve estar sendo um horror todos estes vermes ficarem tirando o seu juízo. Os passarinhos aqui fora ainda cantam aquela nossa música de quando éramos jovens. Todos eles chegam perto de mim com seus violinos, flautas e cantam... Cantam... Cantam como nunca!

Sento-me ainda na cadeira que fica ao lado do nosso piano. Sento-me, e vejo aquele nosso retrato tão antigo, do tempo da guerra. Os dois sérios, porém escondiam debaixo daqueles rostos uma felicidade comparada à galáxia! Estávamos tão felizes, mesmo estando rodeados de bombardeios no mundo. Mesmo estando com medo de tudo... E agora? Cadê você?


Oh, Augustino! Resta-me ao menos a tua boca carnuda para desenhar linhas apavorantes de paixão em meu corpo delineado? Resta-me ao menos teus olhos para olhar nos meus quando a lua encostar na janela do nosso antigo quarto e refletir aquela luz nos olhos teus? Resta-me ao menos aquelas tuas linhas de carne saborosa que eu sempre lambia e provava com todo o meu gás?


Meu amor. Apenas consigo ser ousada quando escrevo pra ti. Apenas consigo escrever cartas pra ti. E ouvi dizer que estas cartas não voltarão com as devidas respostas. Volta pra mim, Augustino! Volta e não vais mais embora, meu berilo...

De sua eterna mulher,

Flora.
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Os dias estão cada vez mais corridos. Mas se faço algo que gosto, que dou fé, que sinto um alívio e amor pelo que escrevo, volto ao meu lugar de sempre para descrever vidas de pessoas que estão e não estão ao meu redor. Se eu pudesse abraçaria todas, e guardava dentro de uma caixinha onde eu levasse para qualquer lugar. Trabalho, caminhada, atividade esportiva, curso de inglês, cursinho pro vestibular... Pra Lua, sabe? É isso. Está tudo datilografado.
Um abraço. E ótimo começo de semana!
*lembrando que sexta tem o dia da poesia, e no sábado tem festinha lá no meu pai. Oba!
1 year and 4 months [ there's a meaning ]
;]

Domingo, 2 de Março de 2008

Conversa na biblioteca



- Aqui, homem! Pegue-me! Leve-me para o seu colo!
- Não é tão simples assim, meu caro. Estou em dúvida entre você e os outros...

Outra voz gritou:

- Olha lá, hein! Eu tenho tantas fotografias pra te mostrar, leitor! Há tempos que estou preso nesta biblioteca esperando por alguém que me dê o máximo de valor!
- Não, não, não! Aqui quem tem vez são os livros de História. – falou o colega da estante.
- Como assim? Não tem isso aqui, seu metido! Presta atenção nisso: “As pessoas fazem a História, mas raramente se dão conta do que estão fazendo”, Cristopher Lee. Pense nisso.
- E daí? Problema delas que não se dão conta. Mas tenho coisas belíssimas que aconteceram em todo o mundo, e ficaria honrado em mostrar isso pro moço, certo?!
- Certo, livro de História!

O homem olhou pra um, olhou pra outro e continuou com a dúvida. Eram tantos livros que lhe chamavam a atenção. Eram tantos que estavam desesperados para serem tocados... Eis que ele falou:

- Estou precisando refletir com um de vocês. Não quero que fiquem ai discutindo, brigando, implorando para eu pegar um. Já disse, não é fácil assim. Alguém tem poesias pra mostrar-me?

Um livro de Augusto dos Anjos gritou:

- Senhor, senhor! Poderia eu citar um poema que faz parte deste meu corpo já tão velho e esquecido nesta estante?
- Sim, claro!

E o livro declamou:

A fome e o amor

A um monstro

Fome! E, na ânsia voraz que, ávida, aumenta,
Receando outras mandíbulas a esbangem,
Os dentes antropófagos que rangem,
Antes da refeição sanguinolenta!

Amor! E a satiríasis sedenta,
Rugindo, enquanto as almas se confrangem,
Todas as danações sexuais que abrangem
A apolínica besta famulenta!

Ambos assim, tragando a ambiência vasta,
No desembestamento que os arrasta,
Superexcitadíssimos, os dois

Representam, no ardor dos seus assomos
A alegoria do que outrora fomos
E a imagem bronca do que inda hoje sois!”


O leitor ficou surpreso ao ouvir tudo aquilo. Tão sagaz, tão feroz! Era isso que ele procurava. Seria o livro escolhido entre tantos outros que também são recheados de cultura, exemplos, histórias fantásticas!- Ora, ora... Vamos comigo?! Quero lê-lo. – E olhando para os outros que puxavam sua camisa, disse: - Nem tudo está acabado. Aguardem, e voltarei para matar a minha e a sede de vocês! Boa noite...

O moço saiu da sala, deixou a porta entre aberta, e a guerra continuou lá dentro. Mas enfim a calmaria chegou. Aquietaram-se. E sabiam que mais cedo ou mais tarde teriam o mesmo prazer do livro que foi pego pelo leitor.

Livros! Oh, livros... “livros livres... porque cultura não é mercadoria”.
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Ganhei da Verônica Martinelli , este selo:


Obrigado, Verônica!

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

. i hear you, of course .


Same Mistake - James Blunt

So while I'm turning in my sheets
And once again, I cannot sleep
Walk out the door and up the street
Look at the stars beneath my feet
Remember rights that I did wrong
So here I go

Hello, hello

There is no place I cannot go
My mind is muddy but
My heart is heavy, does it show
I lose the track that loses me
So here I go

Oo oooooo ooo ooo oo oooo...

And so I sent some men to fight,
And one came back at dead of night,
Said "Have you seen my enemy?"
Said "he looked just like me"
So I set out to cut myself
And here I go

Oo oooooo ooo ooo oo oooo...

I'm not calling for a second chance,
I'm screaming at the top of my voice,
Give me reason, but don't give me choice,
Cos I'll just make
The same mistake again,

Oo oooooo ooo ooo oo oooo...

And maybe someday we will meet
And maybe talk and not just speak
Don't buy the promises 'cause
There are no promises I keep,
And my reflection troubles me
So here I go

Oo oooooo ooo ooo oo oooo...

I'm not calling for a second chance,
I'm screaming at the top of my voice,
Give me reason, but don't give me choice,
Cos I'll just make the same mistake

I'm not calling for a second chance,
I'm screaming at the top of my voice,
Give me reason, but don't give me choice,
Cos I'll just make the same mistake...Again

Oo oooooo ooo ooo oo oooo...

So while I'm turning in my sheets
And once again, I cannot sleep
Walk out the door and up the street
Look at the stars
Look at the stars, falling down,
And I wonder where, did I go wrong.

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Olá, leitor e não-leitor do blog-mais-desajeitado de toda a galáxia!
Aqui está a música pra você baixar, se quiser. Ela é bonitinha. O James é lekalzinho. E eu gosto...
Quero aprov
eitar e dizer que ganhei do meu leitor Critical Watcher, estes selos:




















Passo todos eles para as seguintes criaturas:


Frau Dias, meine freund;

Dan.sc, hunf!

Boa tarde, passar bem.

Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

[ MEME ] ... ?

Olá, como vai? Eu vou indo... E você? Tudo bem? Tudo bem, eu vou indo... Os dias estão REALMENTE estranhos!

Sem muito papo, vou ao que me interessa expor aqui, hoje, agora... Nesta noite tão gélida ao som de Insensatez na voz da Takai.
Recebi da minha amiga de blog, Carolzita, o MEME:

Responda, da maneira que lher convir, as estas perguntas:

1 - Que cheiro tem seu corpo?
2 - Que sonhos alimentam seu coração?
3 - Porque a vida muda de uma hora pra outra?
4 - Porque pessoas vêm e vão?
5 - Porque complicado vem antes do simples?

Esse MEME foi feito por ela, e após as respostas, deve-se indicar mais 5 blogueiros.
Respostas:

1 - Meu corpo tem cheiro de Malbec de O BOTICÁRIO. Uma fragância com base do vinho. Um cheiro surpreendente, sexy, selvagem e capaz de levar à loucura!

2 - Meu coração é alimentado por sonhos leves, bonitos e amáveis. São eles: ir para a Inglaterra, fazer faculdade de Jornalismo, ter uma casa, sempre ter alguns poucos amigos por perto pra contar. Sonho em ficar por muito, e muito tempo com minha mãe - meu alicerce, minha parede, minhas telhas, meus fios de energia positiva.

3 - A vida não muda de uma hora pra outra. Nós é que mudamos... Amadurecemo-nos a cada fração de segundo. Tudo acontece silenciosamente...
4 - Porque tem que ser assim. Elas vêm até nós para servir de exemplo. Para podermos aprender a ver sempre os dois lados da coisa. É triste quando umas se vão. É bom quando certos sentimentos por determinada pessoa, passa. Há algo escrito.
5 - Não acho nada complicado. Tudo é muito simples. Nós é que quase sempre discordamos das coisas. Cada um tem capacidade suficiente para fazer algo de satisfação do ego. [ que viagem! ]

Indicados:
**********************************************************
Aproveitar pra dizer uma coisa. Acabo de ganhar uns brinquedos do meu padrasto! Hahahaha... Sério! São lindinhos, hein!
Olha só...


Ótima noite. Durma bem!
Tchau, tchau, anjo da guarda...

Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

H ã ?


Quando eu vi, senti aquele aperto que só eu e quem não conseguiu sabe o que é! Mas tudo bem. Quer dizer, tudo mais ou menos... Eu quero estar lá. Ainda tenho a audácia de vir aqui e revelar-te o que tenho correndo nos meus pensamentos. Tenho planos, vários planos pra este ano. Preciso pôr todos em prática. Vou conseguir, sabe? Acredito que posso alcançar o meu sucesso. [ sim, você sabe que sou capaz disso... Okay ]

1. estou com saudades de um protagonista;
2. estou preso em pensamentos estranhos (como já disse numa poesia, eu sou estranho);
3. estou querendo terminar dois livros que mal comecei de ler;
4. quero ir para Londres;
5. quero um beijo daqueles!;
6. quero um abraço daqueles!;
7. quero poder esquecer algumas coisas imbecis;
8. estou prestes a ter uma síncope!

Estou no começo de uma nova aventura. Estou namorando com Arthur Schopenhauer e, mais uma vez, com Bernard Cornwell. Eles são bons. São gênios. Um é louco, o outro, leve.

Ah, estou sem um pingo de paciência pra escrever. Só vim mesmo desabafar com você, meu caro blog!

... que estranho está hoje ...

Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

Caso


Estou grávida. Como diz a Marina Lima “Eu tô grávida / De uma nota musical /De um automóvel / De uma árvore de Natal / E vou parir”. Já fiz o teste na farmácia, e resolvi contar pra Clarice. Fui ao consultório de Dona Lucília. Ela está chocada com a notícia... Mas pelo menos os meus pais já sabem! Pode ser que isso não lhe agrade. Assim que vi o resultado, acreditei. Assim que soube, senti algo dentro de mim. Não, não foram as chutadas do bebê. Ainda é muito cedo para tamanha afobação. Mas senti algo bom. Algo que estava me transformando em uma mulher mesmo com 16 anos.

Nós transamos naquela noite porque os dois quiseram. Disso você também tem certeza. Já estou a ouvir sua voz dizendo: “Isa! Estás maluca? Eu não forcei a barra, garota!”. Mas não tem problema, Davi. Ou tem. Não quero fazer com que se sintas culpado. Apenas, queria que pudéssemos fazer com o nosso bebê, o que, no começo do namoro, conversamos. Acho que não lembras, por isso irás dizer-me coisas desagradáveis.

Agora estou aqui na minha cama, sentada, ouvindo aquele cd que você presenteou-me no meu aniversário, do Chico Buarque. Foi um dos presentes que mais adorei receber entre os meus 12 e 16 anos. É, nos conhecemos por acaso, ou seria sem acaso? Você com seus amigos do 2º colegial, e eu com minhas amigas do 1º ano. Lembro do jeito como examinava meu corpo, deixou-me tímida diante das meninas! Ai, Davi... Como foi bom! E começamos uma linda história de amor...

Onze meses de muita paixão, muita fidelidade, muito carinho. Então aconteceu o que aconteceu naquela tarde de junho. Meus pais, você lembra, sempre diziam que o que existia entre nós dois era intenso, era extrapolado. Precisávamos ir com mais calma, até porque ainda éramos dois “bebês”! Estranho eles usarem essas palavras. Somos tão grandinhos, tão inteligentes, quase tão ‘responsáveis’. Porém entendi o que de fato eles me alertavam.

Eu não conhecia aquela garota. Depois as meninas me disseram que ela morava no seu prédio. Aquilo partiu meu coração, Davi. Sério! Não estava acreditando, pensava que era conversa fiada delas. E vi você ali naquela praia com a Yasmim. As meninas me seguraram para não estragar mais ainda meu espírito. O sangue subia fervorosamente em minhas veias e artérias. Fiquei vermelha, chorei horrores, tremia como um trovão. Passei mal.

Elas chamaram um homem que estava com uma prancha de surf na praia, pra me levar até um bar distante de onde vocês “namoravam”. Ligaram pros meus pais, eles vieram, levaram-nos pra casa, e lá eu vos contei tudo que aconteceu, e estava acontecendo.

- Isadora! Meu amor! Onde que os dois pirralhos estavam com a cabeça?

- Pai, não foi um erro. Nós dois sabíamos que iria dar nisso. Quer dizer, não sabíamos. Eu tomei a pílula do dia seguinte...

- Mas não resolveu, não é? Você acha o que? Que se ficasse grávida, ou melhor, que se está grávida, tudo bem. Seu papai, sua mamãe, os pais do Davi vão bancar tudo? Ah, lógico... “papai e mamãe me amam e não irão me deixar na merda”!

- Júlio, olha o estado dela! Isso pode estar fazendo mal pro feto!

- Ah, Mariza! Só estou conversando com nossa filha. Vem cá, essas suas amiguinhas do jeito que são, todas ousadas, todas loucas, fizeram com que isso acontecesse com você.

- Pai, pára! Eu não sou santa! Eu não quero que tratem-me como uma santinha, como a filhinha que sempre ganhou bonecas Barbie, ursinhos, sempre teve dvds infantis! Não quero! Desde os meus 12 anos vocês percebem como tenho mudado. Como tenho me tornado mais mulher, mesmo com 12 anos! Pai, pode pôr-me pra longe daqui. Mandar pra casa de alguém, sei lá...

- Espera, espera, espera! Você está louca, Isadora? Está louca? Que pai é esse que vai abandonar a filha logo numa fase linda de sua vida? Minha filha, só estou surpreso com o fato. Só estou triste comigo mesmo... Só estou triste por não ter percebido com tanta força, como minha filha amadureceu. Nem eu nem muito menos sua mãe iremos abandonar você.

- Ow, pai...

- Filha, apenas queremos conversar com o Davi. Saber dessa traição de adolescente, saber sobre o que ele acha da gravidez...

Isso me cansou, Davi. Por isso só resolvi contar agora pra você sobre o nosso bebê. Por isso sumi da escola, por isso mudei o número do meu celular, para não mais atendê-lo. E sei que estás aliviado em estar lendo todas essas minhas palavras idiotas de uma mãe boba pelo seu filhote. É uma menina. Chamar-se-à Flor. Simples como o da mãe e do pai. A única coisa que quero que faça é: registrar a Flor.

Ai, Davi... A verdade que eu ainda o amo muito. Mas não tenho forças pra voltar pra ti. Deixo você com um trecho da nossa música.


“Como o meu jeito de amar se ajeitava com você
Louco, eu não imaginava uma noite sem você
Como é sincero poder
Querer os pulsos cortar
Como é bolero chegar
E perder a coragem
Foi tão bonito você me emprestar a vida assim
Ver que eu não tinha saída e seguir por onde eu vim
Como eu adoro você
Quando você me sorri
Quando sabemos que aqui
Termina nossa viagem”
- (Nosso Bolero) Chico Buarque de Holanda

Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Eu


Sou bonito, sou feio, não lhe agrado.
Sou chato, sou briguento, não me toleras.
Sou pouco inteligente, escritor, falo coisas sem pensar.
Sou puto com tudo isso aqui, sou uma patacoada.

Sou eu, sou teu, e às vezes prefiro não ser.
Sou ao contrário, sou alarmante, não precisas.
Sou coitado, não sou, fico feito um CÃO com dor.
Sou fresco, sou puta, não te devo.

És a burrice e eu o desprazer.
Sou a calma, sou a totalidade, errada pra você.
Sou o que não quero ser. Sou o que vejo em você.
Sou o que sinto em te ler.

Sou a mentira, sou o enfadonho do endocarpo.
Sou a verdade que nunca quer ser dita.
Sou uma vergonha, sou um tugúrio.
Sou o errado. Tenho vergonha de o dizer...

Sou o que caminha horas e horas por ai.
Sou o indeciso. Sou o amor, a dor, a tristeza, a merda!
Sou estranho, campanudo, seco, calado diante de você.
Sou tímido, sou fino, sou um hino, que ainda vais conhecer.

Sou o adulto aborrecente. Sou com-vi-n-cente.
Sou libidinoso, talvez.
Sou sexy, sou alcoólatra, sou dançarino em Saturno.
Sou o que tem medo de te falar. O que tem medo de chegar.
Não mais o desprazer. Eu sou a pérola da família.
Sou louco, imbecil, sou uma negação, talvez.
Sou beduíno, digo-me que sou capaz. Não ligue.
Sou uma contra-adição. Sou tudo de bom, de ruim.

Sou personagem deste universo rútilo.
Sou o que você não quer ouvir. Sou amigo, salve.
Sou forte, mas não tenho corpo suficiente pra sustentar-te.
Sou indescritível. Vivo fantasiando as coisas.

Não vivo na realidade. Tapo os meus olhos para não
Viver isso aqui.
Sou ESCRANIFADO, e daí?
Sou um mamífero. Parente de extraterrestres.

Vivo a sonhar, sou daqui e sou de lá.
Sou de cá, e parece que estou pra ficar.
Então, sou um saco. Sou infantil.
Sou anti-séptico. Sou...

Sou a pessoa que gostaria de ouvir uma palavra.
Sou o que briga pela simples palavra.
Sou o que sente falta em te ver.
Sou o que precisa te tocar.
Sou sensual, e também, não sensual.

Sou o vazio, sou, mais uma vez, a totalidade.
Sou uma perdição, um furacão, não é isso não.
É difícil de explicar o que quero ser.
Sou um doce que destrói seu organismo.
Sou Michel Jackson, o que não come criancinhas.

Sou polênica. Sou o enjoado. Sou o que você não gosta.
Sou escandaloso, frio, alegre, o que não se entende.
Sou os fios que ligam o êmbolo até outros vasos.
Agora tenho a compunção.

Sou este. Que tanto escreve, que ainda não se liberta,
Que está esperando ouvir o que deseja,
Que ouve aquela música e lembra daquilo,
Que olha nos seus olhos e vê outras, e outras estrelas.
Sou um enigma. Sou um paradoxo. Sou um epígono.
Sou o Nobre Epígono!
Pronto!

Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

[ meu refúgio literário há 4 dias ]


Insensatez - Fernanda Takai
Composição: Tom Jobim / Vinícius de Moraes

Ah, insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
O seu amor
Um amor tão delicado
Ah, por que você foi fraco assim
Assim tão desalmado
Ah, meu coração, quem nunca amou
Não merece ser amado
Vai meu coração ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado
___________________________________
Limpa minha alma. Leva-me mais uma vez para Saturno. Dá de presente pra algum extraterrestre. Perfeita música. Na voz da Fernanda está mais-que-perfeita! Ouçam... Baixem!

Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

... Viajei em Saturno noite passada ...


Eu fui pra Saturno. Mas ainda vou voltar. Peguei um carro emprestado de um ser humano amigável, porém fingido. Que paradoxo! Estou nele passeando na Via Láctea que tem tanto pra me mostrar. Fui pra Saturno a fim de tentar ficar bem naqueles anéis que são constituídos por uma mistura de gelo, poeiras e material rochoso e bem coloridos. Fui, e pensei em não mais voltar. Saturno é composto de hidrogênio, um pouco de hélio e outros elementos. E daí?

Conheci um extraterrestre lá. Ou melhor, aqui. Ele é bem diferente dos terráqueos. Ele faz sonetos perfeitos na forma e na linguagem pra sua eterna órbita bucólica. Ele apresentou-me seus amigos, seus familiares, suas estrelas, suas guias, sua solidão, suas liberdades, seus sentimentos, seu noturno, seu otimismo, sua queixa, suas conquistas, seus anéis iguais aos de Saturno, suas luas, suas naves.

- São esses aí que estás a ver, Nobre Epígono! Vivo assim... Contente com a doce companhia dos que giram em torno do meu eu-lírico.
- Eles são assim mesmo? Vêem o que não vêem? Lêem o que não pode ler-se?
- Exatamente, Nobre. Hipérbole é o mais expressivo, como o nome já diz. Ele não guarda rancores, expressa o que pensa. Sente-se a criatura mais livre aqui em Saturno. Ele não tem medo de nada. Arrisca-se!
Caminhei nos anéis coloridos. Tocou-me a alma vendo aquelas criaturas dando pulos de alegria pela minha presença unidirecional. Algumas mais estranhas que as do começo da viagem, chupavam-se como os teiídeos. Vi na minha frente, declarações de extras que nem conheciam outros extras que não viviam ali.

“– Gosto de sentir minha língua roçar na sua profusão de líquido insípido da glândula salivar!”

Eles não tinham vergonha de dizer aquelas coisas. Eles são inteligentíssimos! Parece que eu tinha dormido quinhentos anos, acordado em um mundo totalmente diferente do meu, onde “novas pessoas” apareceram na minha frente e possuíam um raciocínio cinco vezes multiplicado pelo meu. Impressionante! Eles altercavam uns com os outros. As fêmeas não são como as terráqueas. Elas são mais sensuais... Hipnotizaram-me fácil, fácil. Uma chamava-se Ipenizopalariagulástica. Pediram-me, então, para remi-la. Algo não emaranhado. Para mim, uma volúpia sintonia de palavras.

Os meus nervos pairavam sobre os anéis. Saturno agora é o meu ponto de refúgio. Eu disse para um ser animado, que acreditava no poder que aquele planeta me passa. Deixa-me leve, imaginário, louco, atrevido, bonito, gostoso, cheiroso... Enfim, tudo de bom. Hehehe. Lá é calmo, infindo, luminoso. É paralaxe!

Volto-me para os meus lençóis quentes e fortes. Volto silenciosamente para onde há amores, ódios, e paixões e beijos e pagãos e perfumes e olhares... Ah, os olhares! Volto-me para onde aprendi a ser criança. Onde aprendi a imaginar as coisas. Fantasiar.
A viagem foi muito boa. Entre tantos beijos e abraços e carícias, restou-me os papéis, a caneta, os livros. Lembrar-te-ás de mim quando estiveres noutra galáxia. Experimenta!